és de Braga?, e chamas-te Lourenço?…

Pode haver uma correlação entre este aforismo (És de Braga?!...) e um outro que diz ‘És de Braga e chamas-te Lourenço?…’.
Bom, vamos à primeira:
É mais ou menos consensual que teria sido em Braga que, pela primeira vez, deixou de se colocar portas nas entradas muralhadas da cidade. Isso está comprovado, no mínimo, desde o século XVI, ocasião em que foi construída uma enorme entrada nas muralhas da cidade, o chamado Arco da Porta Nova (o desenho acima). O Arco nunca teve porta alguma, até porque nessa altura a cidade já tinha extravasado as próprias muralhas. Os tempos eram perfeitamente pacíficos, mas, mesmo assim, a construção não deixou de ser uma originalidade, dado que todas as restantes entradas da muralha tinham portas que eram fechadas ao anoitecer. Mas, por essa novidade, os habitantes da cidade passaram a ser conhecidos por aqueles que não fechavam a porta.
Ora, indo à segunda: Lourenço era arcebispo ilustre da cidade, que amiúde tinha atitudes pouco do agrado da nobreza e que, talvez por isso, acabou por ser exonerado pelo papa a pedido do rei. Destituído, resolveu ir a Roma onde, com a sua eloquência, acabou por convencer o papa a restituir-lhe o cargo.
Daí que és de Braga e chamas-te Lourenço quer referir alguém, com poder pessoal ou interposto, que consegue o que pretende, ou seja, trata-se de alguém para quem… as portas se abrem.
Extrapolando, o dito aponta para quem deixa a porta aberta, subentendendo-se que o faz por se considerar mais importante do que os outros e, por isso, não precisa de preocupar em fechar a porta.
Já percebi! Também conhece o Lourenço!…
(ver ver Braga por um canudo)

 

 

 

(não me apraz a chave que em muitas portas faz)