estranhar a capadura

Neste postulado, bastante antigo, diz-se de quem passa de um estado de abundância para um de privação, perde um determinado estatuto social, enfim, o que, usando um jargão, genericamente também poderíamos apelidar de passar de cavalo para burro.
Nessas circunstâncias a pessoa estranha a capadura. Capadura, a que propósito e em que sentido? O axioma reflecte um certo modo aligeirado de explicar, que se trata de mutilar, tolher ou castrar, segundo alguns epidemiologistas.

Ninguém tem dúvidas sobre o que é uma castração, uma mutilação; não me parece que seja essa a moralidade do axioma. Vejamos:
Durante muito tempo algumas das ordens religiosas, tinham costumes e ritos iniciáticos para os noviços que visavam confirmar se eles tinham, ou não, vocação para uma vida monástica.
Em Portugal, para ilustrar esta sentença, vejamos os casos da Ordem dos Beneditinos ou a dos Franciscanos.
Uma dessas práticas era a de obrigar o uso de um hábito de rude estamenha,  directamente sobre o corpo. Este tipo de vestuário áspero, rijo e pesado, causava um enorme desconforto.
Esse trajo era, de facto, uma capa dura e, nesse amargo incómodo, os noviços queixavam-se da veste ao estranhar a capa dura.
Parece-me uma teorização mais razoável, diversa dessa outra conjectura, tanto na formulação como na raiz.

(não confundir com catadura, de catar desin. e suf. ura  Catar, do latim captare, significa buscar fixamente, apanhar. Catadura é o aspecto de quem olha concentradamente, de testa franzida. Dic. Etimo. Língua Portuguesa)

 

 

 

(não cabíamos ao fogo e veio o meu sogro)