gato escaldado, de água fria tem medo…

Este velho aforismo afirma que a lembrança de uma qualquer desagradável experiência impõe as maiores cautelas com base em probabilidades de novas desgraças, em circunstâncias que pareçam mais ou menos semelhantes.
Os ingleses têm o mesmo provérbio, mas sobre criança que se queima ao brincar com o fogo: a burnt child dreads the fire. A experiência mostra-lhe o perigo do qual terá sempre medo no futuro.
Há vários provérbios parecidos e de origem bem diversa. Um adágio hebraico lembra que quem foi mordido por uma serpente tem medo até de uma corda. Outro, por exemplo, hindu, afirma que quem foi queimado por um tição tem medo até de um pirilampo. Na Itália diz-se cão que queimou a língua lambendo cinzas, até da farinha desconfia.

Ovídio, num dos seus versos dizia quem uma vez naufragou teme as águas tranquilas…
E outros há.
(veja gato pingado)

 

 

 

 

(o medo é o pai da crença)

11 comentários sobre “gato escaldado, de água fria tem medo…

  1. Anónimo 21 Abril, 2007 / 16:36

    Cada vez que chego, tenho novas lições.
    Oxalá seja capaz de as reter na memória que de cansada envelhece!
    Abraço
    Maria Mamede

  2. M. 12 Abril, 2007 / 17:18

    A sabedoria que atravessa o mundo dos homens, cada povo baseando-se no que faz parte da sua vida. Interessante a semelhança na diversidade de experiências.

  3. pin gente 11 Abril, 2007 / 16:12

    aprende-se com os erros… e podem cometer-se muitos, mas apenas uma vez, cada um deles.

  4. Isabel 11 Abril, 2007 / 16:10

    Não posso nem quero deixar de me encantar aqui.
    Gosto muito dos proverbios que escolheste… gosto sempre de imaginar como nasce um provérbio.
    Os versos de Ovídeo vão mais longe e creio podem suscitar outras interpertações nomeadamente a interpertação contrária, quem já naufragou e sobreviveu a um naufrágio é as águas tranquilas que teme pois são as que desconheçe.
    E a verdade é que uns de nós temem o que já nos magoou, outros temem apenas o desconhecido e outros temem deixar de temer coisa alguma.
    Mais uma vez foi um grande prazer ler-te.
    Isabel

  5. Gi 11 Abril, 2007 / 14:41

    Aprender sem errar seria o ideal… mas eu diria que é quase irreal! A experiência é, a maior parte das vezes, a melhor conselheira. Um “escaldão” nunca se esquece 🙂
    Beijinhos

  6. marta 11 Abril, 2007 / 13:23

    Sim, vai-se aprendendo…mas às vezes ainda se tenta, de uma maneira diferente, mas ainda se tenta.

  7. greentea 11 Abril, 2007 / 08:04

    tudo são aprendizagens…

  8. JPD 10 Abril, 2007 / 20:57

    Olá!
    …O que só prova que a experiência sendo o nome que damos aos nossos erros, é insuficiente para evitar, resolver medos transmitidos, adquiridos, lançando-nos num plano de uma certa irracionalidade, também.
    Um abraço

  9. veritas 10 Abril, 2007 / 17:42

    Sim…faz parte da condição racional, ou irracional…por isso valoriza o instinto…

    Bjs. Boa semana.

  10. MARIA VALADAS 10 Abril, 2007 / 18:32

    O perigo…faz-nos reflectir!
    Mas na certeza porém…que o melhor, é não correr perigo…ou tentar evitar!
    Beijinhos da
    Maria

  11. Mariana 10 Abril, 2007 / 13:13

    é verdade: quando voei com o carro passei a andar na estrada muuuuuito devagar! 😉
    Hoje já vim aqui três vezes, leio e volto para ler novamente.
    abraços

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