guarda-chuva

A invenção do guarda-chuva (ou chapéu-de-chuva...) ou do guarda-sol, remonta a tempos antiquíssimos e, curiosamente, nos seus primórdios, as pessoas serviam-se dele mais como sinal de dignidade e poder, do que como meio de se resguardarem do sol ou da chuva.
A Tartária, a Pérsia e a China foram os primeiros locais onde se usou; tal como em Marrocos, onde só o Imperador tinha direito de se cobrir com ele. Na Itália, depois em França, começaram a aparecer nos finais do século VII, e é provável que daí os tivéssemos herdado, embora que não haja um absoluto consenso sobre isso, já que são poucas as referências à forma e ao tempo em que eles se foram vulgarizando pela Europa. Sabe-se, isso sim, que os guarda-chuvas, hoje de finos tecidos, antigamente eram fabricados de couro ou oleado.
A propósito de guarda-chuvas, num antigo exemplar do extinto Jornal do Porto, lia-se o seguinte trecho, tão prosaico quanto jocoso:
(…) Em algumas aldeias de Portugal é o guarda-chuva um traste de luxo e de etiqueta, como a casaca e a gravata o são nas cidades.
Nunca algum Romeu de tamancos, acudiu ao prazo dado ao amor, que não levasse um suspiro para saudar a bela e um guarda-sol, de ponteira de latão, para lhe escrever garatujas no chão.
Matrimónio também ninguém o contrai, na maior parte das freguesias do Minho, sem ter um capote forrado de baeta verde e um avantajado guarda-chuva de doze varas. Com esses dois objectos vai o noivo para a igreja, entre os parentes e amigos, preparado para receber a esposa como quem fosse receber uma tempestade (…).
Como quem fosse receber uma tempestade?!
Ora, já vi comparações piores, já!…

 

 

8 comentários sobre “guarda-chuva

  1. jorgesteves 21 Outubro, 2019 / 19:54

    Nunca cheguei a perceber bem a que se refere o aforismo quando fala em molhada
    Abraço.
    jorge

  2. jorgesteves 21 Outubro, 2019 / 19:52

    Mesmo que chuço também sejam um tamanco…
    Abraço.
    jorge

  3. jorgesteves 21 Outubro, 2019 / 19:50

    Sabes como é, não sabes?…
    É bom saber de ti, amiga.
    Abraço.
    jorge

  4. jorgesteves 21 Outubro, 2019 / 19:49

    Ele há coisas quem nem ao diabo lembra!..
    Abraço.
    jorge

    .

  5. Rui Amorim 17 Outubro, 2019 / 10:11

    Um delcioso texto trazido em tempo de chuva que também é de boda molhada boda abençoada, não é Jorge?
    Abraço

  6. Daniel Ferrreira 16 Outubro, 2019 / 15:59

    O meu avô chamava-lhe chapéu-de-chuva e o meu pai já lhe chama chuço.
    Vale a pena a chuva só para ver esta fotografia.
    Abraço.

  7. Maria da Fonte 15 Outubro, 2019 / 22:20

    Mesmo à chuva, se puderes lá vai um saltinho até ao Minho!…
    Gosto do teu modo de contar.
    bjo.

  8. tb 14 Outubro, 2019 / 14:35

    Muito interessante esta história que nos deixas, com um acabar que me fez rir. Comparar um casamento a uma tempestade não está mal lembrado, não senhor. Há coisas bem piores, como muito bem dizes.
    Beijo.

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