in perpetuum

Em Janeiro de 1953 chegavam a Portugal, a bordo do porta-aviões americano Tripoli, os primeiros 25 F-84G Thunderject com destino à Base Aérea nº 2 na Ota. Viriam mais 21 aparelhos em 1954 que, na sua totalidade, constituíram a Esquadra nº 20 que adoptou o nome de Barrete Verde.
Avião monomotor de reacção, o mais famoso da primeira geração de caças a jacto, tinha uma velocidade máxima muito perto dos 1100 km/hora e um raio de acção superior a 1500 quilómetros. Embora chegasse a atingir as 125 unidades, distribuídas pelas bases da Ota, Monte Real e Montijo, o período de apogeu desta aeronave quase coincidiu com o mais trágico momento vivido pela Força Aérea Portuguesa.
Em 1954 uma das patrulhas da Esquadra 20 actua, pela primeira vez, no Festival Aéreo Internacional de Madrid onde conquista um brilhante segundo lugar que lhe granjeia, de imediato, fama internacional; adopta o nome de Dragões de Portugal e enche de espanto toda a Europa com as suas exibições acrobáticas (quatro aviões em simultâneo).
No dia 1 de Julho de 1955 (faz hoje 52 anos), oito aviões de uma formação de doze, saídos da base da Ota, quando se preparavam para participar nas festividades do Dia da Força Aérea, devido a condições meteorológicas desfavoráveis, colidiram contra a serra dos Carvalhos, Poiares, perto de Coimbra, vitimando todos os respectivos pilotos.
De quem ficam memórias soberanas’ é o lema do Arquivo Histórico da Força Aérea Portuguesa, onde o nome destes malogrados aviadores está escrito de forma inapagável.

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4 comentários sobre “in perpetuum

  1. Júlio Pêgo 13 Julho, 2007 / 23:37

    Obrigado por esta memória, texto notável que me fez compreender melhor o que senti nesse dia. Tinha nove anos e, a minha aldeia, perto de Ota (Cartaxo), ficou de luto e consternação. Quase um arrepio de horror, como nesse dia.
    Júlio Pêgo

  2. Alexandra 8 Julho, 2007 / 22:03

    Quando li o que aqui deixou fiquei a pensar porque não me lembraria eu deste malogrado episódio… só depois vi a data! Nem era nascida!
    Felicito-o por deixar estas informações para os que como eu, possam ficar a saber mais e melhor.
    Abraço.

  3. Guidinha Pinto 6 Julho, 2007 / 12:25

    Recordo-me dos antigos falarem neste acidente, não muito longe da Serra da Lousã. Para além disto, gostei de por aqui passar e do que li.

  4. un dress 1 Julho, 2007 / 12:36

    por isso é que voo a sonhar…

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