Inês é morta (agora)

Sobre isto ou aquilo não vale a pena discutir ou sequer levantar a questão; já passou, acabou e não há nada a fazer. Ou seja: agora Inês é morta.
A metáfora da expressão é facilmente compreensível. Trata-se, à evidência, de Inês de Castro. E, segundo alguns autores, uma directa referência ao ensandecido beija-mão que D. Pedro obrigou toda a côrte perante o cadáver de Inês colado no trono real.
Inês foi morta, em Janeiro de 1355, às mãos dos quadrilheiros de Afonso IV. Cinco anos mais tarde, D. Pedro assume o trono e persegue os assassinos de Inês até consumar a sua vingança com exacerbados requintes de crueldade. De seguida ordena que Inês seja desenterrada e posta no trono, onde é consagrada como rainha. Toda a nobreza, sob pena de morte, procede ao beija-mão.
Mais tarde, nas suas Crónicas sobre o rei, Fernão Lopes diria que a ferocidade e crueza do rei de nada valera: Inês era morta e assim morta seria.

 

 

 

(o vento furioso nada pode roubar às pedras)