Intransigência de Labieno


A história de Labieno, contada por Séneca e repetida por Montaigne, é um (muito actual) exemplo de intransigência e fidelidade à liberdade de expressão.
Quinto Labieno, filho do grande general que acompanhou César na guerra das Gálias, era um escritor franco, inimigo de qualquer tirania. Os seus livros foram denunciados por áulicos invejosos aos magistrados de Roma, por conterem ataques aos poderosos. Os livros foram condenados a serem queimados e Labieno protestou. Não sendo atendido, fez-se encerrar vivo no jazigo da família, afirmando que não valia a pena viver sem a liberdade de pensar.

Uma coisa escrita sem liberdade, não pode ser senão medíocre ou má, dizia, por sua vez, Frederico II, da Prússia. Já antes, também Francis Bacon havia escrito A liberdade da palavra determina um uso novo da própria liberdade e assim contribui para o conhecimento do Homem. Na discussão de um projecto de Lei de Imprensa, Lopez de Ayala, declarou Quando a imprensa é livre, a calúnia é nula; quando se acha oprimida, a calúnia é terrível. Triste sorte a de um governo que ninguém acusa em público, porque todos o acusam em segredo.
Disse-o em 1923. Podia tê-lo dito hoje. Em qualquer praça.
Para ser ouvido e lido em qualquer jornal, rádio ou televisão.

 

 

 

(a pior tinta é sempre melhor que a melhor memória)

2 comentários sobre “Intransigência de Labieno

  1. bettips 10 Agosto, 2007 / 17:17

    Agora. Ab

  2. pin gente 4 Agosto, 2007 / 15:20

    em tempos idos, a luta pelos “ideais” era mais levada a extremos.

(actualmente os comentários estão encerrados)