Junho casamenteiro

Um estudo recente publicado nos jornais dizia que, em grande parte da Europa ocidental, mais de metade dos casamentos (religiosos ou não) efectuam-se no mês de Junho. Qual será a explicação?
A popularidade dos casamentos no mês de Junho é uma tradição, dir-se-ia, quase tão antiga quanto o tempo. Os romanos consideravam Junho a época mais propícia, porque acreditavam que Juno, deus do matrimónio, traria prosperidade e felicidade a todos os que se casassem no seu mês.
Além disso, e a um nível muito mais pragmático e comezinho, a noiva de Junho geralmente daria à luz no começo da Primavera; a fase mais adiantada da gravidez coincidiria com os meses repousados do Inverno e, por outro lado, a sua recuperação do parto aconteceria antes das colheitas. Diz um provérbio escocês ‘é um tolo quem casa em Julho, pois quando é preciso ceifar o trigo temos de levar a criança’.
Um dos mais antigos costumes matrimoniais ainda hoje em prática, e cuja origem se perde na memória, é o uso do véu. Crê-se que a sua raiz poderia estar na convicção de que os espíritos do Mal seriam capazes de lançar feitiços contra a noiva e, assim, trazer infortúnio ao matrimónio. Há a história, até, de uma noiva na antiga Esparta, ter cortado curtos os seus cabelos e vestir-se de homem, na esperança de que os espíritos malignos não a reconhecessem.
Também, ainda a propósito, há historiadores persuadidos de que a função original das damas de honor (ou de honra, no dizer antigo) era também um ardil de disfarce: a noiva, cercada por damas da mesma idade e vestidas de modo semelhante, para que os espíritos endemoninhados não a distinguissem das outras.
As alianças de casamento, na maior parte do mundo, são usadas no dedo anular da mão esquerda, há tanto tempo que ninguém sabe ao certo como começou este hábito. A explicação, mais comummente aceite (primeiramente dada pelos egípcios) é que uma veia vai directamente do dedo ao coração.
A razão mais provável, mais corriqueira – e por isso desprovida de poesia… – é que este dedo seja o lugar mais seguro para as preservar: a maioria das pessoas é dextra, e o quarto dedo é o único que quase ninguém o consegue esticar sozinho.
Trocando de mão, a mesma dificuldade também é igualmente válida para os canhos, afianço eu.