Lagos

(Lagos, Meia Praia nas primeiras décadas do século passado)

A origem provavelmente remonta ao Neolítico, e a primitiva povoação situar-se-ia no Paul ou no Monte Molião, na outra margem do rio. É bem posterior a povoação correspondente à actual freguesia de Santa Maria, que os romanos baptizaram de Lacóbriga, que quererá dizer ‘castelo do lago’, e donde surgiria o topónimo. Aquando da conquista de Silves, em 1189, a cidade já aparece denominada como Lagus. Quanto à primitiva Lacóbriga, lê-se num manuscrito, de 1577, Corografia do Reino do Algarve, de Frei João de S. José, ‘Escrevem que depois de Hespanha povoada houve nela um Rey q. foi o quarto dos primeiros que nela reinavam, chamado Brigo, o qual edificou muitas cidades, a que por remate dos seus nomes o mesmo que ele tinha, antecipando-lhe algas syllabas ou dicções com que se differençasse huas das outras, como esta é Lacóbriga de que fallamos’. O mesmo manuscrito, do século XVI, completa ‘Foy Lagos povoação antiga teve por seu autor para a glória da sua nobreza a El Rey Brigo , 4º Rey de Hespanha no ano 400 depois do dilúvio universal, 1600 anos antes da vinda de Cristo nosso redentor e 2056 annos depois de criado o Universo, edificou esta povoação em um sítio q. hoje se chama o Paul; e para mais a ennobrecer lhe pôs por remate o nome que ele tinha, ficando desde então chamando-se Lacóbriga ou Lago de Brigo’.
Estas evidentes fantasias não foram postas de lado por Cristóvão Aires nem por Leite de Vasconcelos, que vêem na terminação briga uma palavra de origem celta, que quer dizer altura fortificada, correspondendo ao castro romano. Embora haja ainda outra teoria proveniente ‘das muitas aguas ou lagos junto de quem foy edificada’ e, daí, Lagus, a verdade é que são apenas hipóteses sem fundamento consistente. O que parece certo é ter havido duas Lacóbrigas: uma primitiva, no Paul, destruída por um terramoto, e outra, onde hoje é Lagos, no monte Molião, que parece ter existido até 616 a.C., pelo menos.