meter uma lança em África

Meter uma lança em África significa conseguir realizar um difícil empreendimento, levar a termo uma tarefa antecipadamente tida como bastante difícil, cometer um feito inusitado.
Esta expressão foi vulgarizada pelos exploradores europeus, principalmente portugueses, devido às enormes dificuldades encontradas ao penetrar no continente africano. A resistência dos nativos causava aos estranhos e indesejáveis visitantes baixas humanas. Muitas vezes retrocediam face às dificuldades e ao perigo de serem dizimados pelo inimigo que eles mal conheciam e, pior de tudo, conheciam mal o seu terreno. Por isso, todos aqueles que se dispusessem a fazer parte das chamadas expedições em África, eram considerados destemidos e valorosos militares, dispostos a mostrar a sua coragem, a guerrear enfrentando o incerto, o inimigo desconhecido. Estavam, dizia-se comummente, dispostos a meter uma lança em África.
Uma história apócrifa, por alguns atribuída a Fernão Lopes, conta que, no início da vida monástica do Condestável, correu em Lisboa a notícia de que Ceuta estaria a ser tomada de assalto pelos mouros. Frei Nuno de Santa Maria logo manifestou o desejo de participar na expedição que iria proteger Ceuta.
O rei, seu dilecto amigo, tentou dissuadi-lo lembrando o peso dos anos e a debilidade da sua frágil figura. Logo o velho Condestável, denodado, pegou uma lança que atirou da varanda do convento, cravando-a numa porta do outro lado da praça, dizendo que em África a poderei meter, se a tanto for propósito.

Admitimos, que não se me afigura profícua a discussão, que as duas propostas para a origem da expressão se possam complementar.

 

 

 

(contra si levanta pedras quem contra os outros as lançar)