metido em sarilhos

 

O sarilho era um instrumento muito rudimentar que, durante vários séculos, a bem ver até aos anos setenta do século passado, existiu na esmagadora maioria das casas das nossas aldeias. Servia para fazer meadas do fiado de linho ou da lã com que, depois, se teciam, também de modo caseiro, as roupas usadas pelas gentes dos nossos campos. Este mister foi progressivamente desaparecendo conforme foram proliferando as indústrias à volta dos linifícios e lanifícios. O que fez, consequentemente, desaparecer o sarilho. O movimento, balançado, tosco e ritmado do sarilho, deu origem a vários ditos comuns.
Metido num sarilho, o fio do linho, tal como o da lã, por vezes se enredava (sarilho também era um dos mais usuais aparelhos para tirar água dos poços; o cilindro, onde enrolava a corda que baixava o balde ao fundo do poço, tal como o seu congénere do linho, também se emaranhava), o que explica, figurativamente, o que acontece a quem se mete em ditos e mexericos, em tramas, petas, cambalachos ou falcatruas; andar num sarilho, é o mesmo que andar numa roda-viva, daqui para ali, às vezes sem saber bem a fazer o quê, tal como o sarilho rola em movimentos sincopados; quando alguém provoca uma confusão, uma embrulhada, diz-se que armou um sarilho, ou anda a arranjar sarilho; é um sarilho, quando, simplesmente, se está perante uma confusão.

 

 

 

 

(a gente pensa que se benze e arrebenta as ventas)