Motim do Vinho do Porto


A Companhia dos Vinhos do Alto Douro foi criada pelo Marquês de Pombal em Junho de 1756. Na sequência desta decisão do ministro de D. José, o povo do Porto sublevou-se e, no dia 23 de Fevereiro do ano seguinte, mal o dia raiava já uma enorme multidão se dirigia a casa do Juiz do Povo e, fazendo-o cabeça do motim, seguiram para a casa do desembargador, Bernardo Duarte de Figueiredo, obrigando-o a dar por extinta aquela Companhia que havia sido confirmada por Alvará Régio de 10 de Setembro de 1756. Seguiram-se violências, distúrbios, arrombamentos de portas, roubos, devassas nos armazéns da Companhia, encerramentos das suas tabernas e tudo o mais que, na altura, era de uso em irritações populares.
Mas, a verdade é que o Marquês estava determinado e não permitiu veleidades a este motim do vinho do Porto. Logo no dia 28 do mesmo mês de Fevereiro, uma alçada enviada à cidade por ordem do Marquês, teve este resultado:

Condenados na pena ordinária do delito: 21 homens e 5 mulheres
(destes só 13 homens foram enforcados, visto que 8 se evadiram e, das mulheres, só uma o não foi por se achar no seu estado interessante),
Em açoutes, galés e confiscação de metade dos bens: 26 homens,

Em açoutes, com a dita confiscação e degredo para Angola e Benguela: 8 homens e 9 mulheres,
Em degredo para Angola e a dita confiscação: 8 homens e 1 mulher,
Para Mazagão em degredo e confiscada a terça parte dos bens: 9 homens,
Para Castro Marim e penas pecuniárias: 3 homens,
Para fora da comarca, confiscada a quinta parte dos seus bens: 26 homens e 5 mulheres,
Em seis meses de prisão e diversas penas pecuniárias: 54 homens e 9 mulheres,
Impúberes condenados a ver as execuções: 17 homens,
Facínoras que foram enviados à Relação para serem sentenciados pelos meios ordinários: 16 homens,
Condenados para a Índia: 4 homens,
Mandados soltar em várias audiências: 183 homens e 12 mulheres,
Absolvidos: 32 homens e 4 mulheres.
 

E a ordem assim se manteve por mais 26 anos…

8 comentários sobre “Motim do Vinho do Porto

  1. Ana Maria B 22 Junho, 2008 / 21:54

    Blog muito interessante!
    E porque é que o povo não queria a Companhia? E, jà agora, onde era Mazagão? Não me consigo lembrar e nem sei onde ir ver.

  2. Ana Maria B 22 Junho, 2008 / 21:54

    Blog muito interessante!
    E porque é que o povo não queria a Companhia? E, jà agora, onde era Mazagão? Não me consigo lembrar e nem sei onde ir ver.

  3. São 17 Junho, 2008 / 16:16

    Sebastião José de Carvalho e Melo conseguiu modernizar Portugal, mas lamentavelmente fez sentir a sua determinação brutalmente sobre as três classes existentes na época: povo( com estas condenações), clero(com a expulsão dos Jesuítas e a condenação do padre Malagrida) e nobreza( com a morte dos Távoras).

  4. José Brandão 15 Junho, 2008 / 17:43

    Meu caro: espero que tudo se resolva a contento pelo seu lado, que por este é bem sabido a falta que por aqui vai fazendo! Não ‘queria meter o bedelho’ mas se um dia puder e se lembrar…
    Cumprimentos, amigo!

  5. Gi 14 Junho, 2008 / 23:39

    um banho de cultura agora que o calor aperta e sou alérgica ao sol.

    Não fazia ideia de todas estas movimentações e sanções. Obrigada por mais este bocadinho

    Um beijo

  6. Justine 14 Junho, 2008 / 15:28

    Tanto barulho, tanto drama, para agora a maioria das terras vinículas do Douro estarem entregues a empresas estrangeiras…
    Abraço, e bom fim de semana :))

  7. APC 12 Junho, 2008 / 00:35

    Credo!… Tanta gente prejudicada de uma só vez! E tudo por uma decisão?! Mas a intenção da Real Companhia não seria das melhores, integrando todos os produtores de vinho, dando-lhes força, identidade e direitos? O que terá falhado? O desconhecimento, por parte de quem legislou, da realidade de quem nisso trabalhava? A tal da centralização, que sempre foi madrasta para o norte português? Olha, não sei… Mas, como sempre, lá me fizeste ir ler para aprender.
    Uma coisa é certa: A CVAD permanece até hoje!… Para alguma coisa há-de ter servido (mais do que para nos ter servido Vinho do Porto)!? OK, vou ler, vou ler! 🙂
    Deixo o abraço.
    PS – Hum… Espera aí, que às primeira leituras, já se me começa a fazer alguma luz!… A Revolta dos Taberneiros, e tal! I see!…

  8. Sophiamar 11 Junho, 2008 / 21:10

    Ler-te é um prazer e o conhecimento adquirido é sempre uma mais-valia para quem por aqui passa.
    Participo, a partir de ontem, num
    blog colectivo.Passa por lá. Deixo-te o link mas encontras o selo no template do meu blog.
    http://adlibitum2008.blogspot.com

    Beijinhos

(actualmente os comentários estão encerrados)