nenhum dia sem uma linha

Recentemente, uma figureta pública, a propósito de um dos seus escritos publicados, dizia numa entrevista, publicada num jornal regional, que tinha por hábito escrever um pouco todos os dias. Talvez porque achasse a frase um tanto sensaborona, acrescentou-lhe uma pitada de latim, convencido de que não só a escrita ficava mais composta como, no embalo, acrescentava-se com o latim aos olhos do leitor. E lá sentenciou… nullus dies sine línea!
Há muito quem pensa que se benze e parte o nariz, dizem os mais antigos.
Pois é: crê-se, geralmente, que este aforismo pertence a um qualquer escritor latino, que tivesse por preceito escrever todos os dias, umas poucas linhas que fossem, e recomendasse tal princípio aos que quisessem melhor aproveitar o tempo, com perseverança, na feitura das suas obras.

O fundamento é verdadeiro, a patetice é que a autoria, o meio e a finalidade, essas, estão erradas.
A máxima é de um pintor grego, de nome Apelles, que viveu no século IV a.C., a quem Estrabão considerou o maior e o mais importante. Estrabão refere que Apelles, no seu Tratado de Arte, dizia que nenhum pintor, zeloso da sua reputação e do seu trabalho, deveria deixar passar dia algum sem desenhar.
Linea não é escrever numa linha; é desenhar uma linha.

 

 

 

(ele até sabe como mija a formiga)