neste dia, mas em 1956…

porque nascer, também é uma Coisa do Arco-da-Velha!…

Na Maternidade Júlio Dinis, no Porto, pouco depois da meia-noite de hoje nasceu uma menina. De seu nome, acharam por bem Maria.
Trazia no bragal uma mão cheia de predicados e uns pós de teimosia na ponta do arrebitado nariz; pelo caminho, disse mais tarde, perdeu a bússola e o livro dos escuteiros Mirim…
Duarte Belo venceu a regata ‘star’, nos Jogos Olímpicos, e subiu ao terceiro lugar da geral, alimentando esperanças de ganhar uma medalha olímpica.
Não sei se o leitor conhece o Alto de Santa Catarina, em Lisboa. O Alto de Santa Catarina é um óptimo local para o lisboeta ver navios. Quando há navios a ver durante o dia, o referido Alto está cheio de mirones que assistem satisfeitíssimos à entrada dos navios no Tejo”, escreve Ramada Curto.
No Porto, no cinema Vale Formoso, o filme ‘Escola de Vagabundos’, com o cantor Pedro Infante, entrou na 7ª semana de exibição.
Em Alijó festejou-se o centenário de um plátano gigante. A Câmara Municipal tomou a iniciativa da comemoração, tendo sido incumbido de lhe dar realização o doutor Gaspar de Barros. Ruidosos morteiros anunciaram a festa e às onze horas realizou-se no largo do famoso plátano uma grandiosa missa campal. Seguidamente, pela interessantíssima filhinha do Senhor Presidente Câmara, foi descerrada uma lápide, colocada no tronco da monumental árvore. Nela pode ler-se um belo texto do escritor Mira Saraiva, que não é demais repetir aqui: ‘Tu que passas e ergues para mim o teu braço, antes que me faças mal, olha-me bem. Eu sou o calor do teu lar nas noites frias do Inverno, eu sou a sombra amiga que encontras quando caminhas sob o sol de Agosto e os meus frutos são a frescura apetitosa que te sacia a sede nos caminhos. Eu sou a trave amiga da tua casa, sou a tábua da tua mesa, a cama em que tu descansas e o lenho do teu barco. Eu sou o cabo da tua enxada, a porta da tua morada, a madeira do teu berço e o conchego do teu caixão. Sou o pão da bondade e a flor da beleza. Tu que passas, olha-me bem e… não me faças mal’.
A P.S.P. remeteu para o tribunal, acompanhada do respectivo processo, Gracinda Conceição Cardoso, de 27 anos, sem modo de vida, da travessa de Alferes Malheiro que, no dia 14 de Agosto passado, roubou uns brincos de ouro que uma pequenita de cinco anos trazia nas orelhas. A ladra levou a miúda ao engano para a Rotunda da Boavista, dando-lhe alguns rebuçados. Aí roubou-a e fugiu.
O navio motor Brio, de 187 toneladas, saído do Douro com um carregamento de sal, encalhou próximo do lugar da Tocha, na Figueira da Foz.
Passou a ocupar a sua cadeira na Academia das Ciências o escritor Aquilino Ribeiro.
Acelera-se a migração dos refugiados da Hungria, para os países que os acolherem. Chega hoje a Leixões um navio que traz três dezenas de crianças destinadas a famílias de acolhimento.
No Ateneu Comercial do Porto, apresentou-se ontem e voltará hoje o jovem e talentoso pianista e compositor António Vitorino de Almeida, solista de 17 anos. Encantou todos os presentes, que lhe desejaram uma brilhante carreira.

(volto para o mês que vem, se houver por quem)

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14 comentários sobre “neste dia, mas em 1956…

  1. bettips 6 Dezembro, 2007 / 04:04

    …e não é que conheço a menina do plátano, já crescidinha na época, que se chama Maria… e o mundo dá que voltas! Eu nasci mais cedo mas o meu pai cismou que não havia de me chamar “maria”. Gostei tanto destas lembranças! E tão atrasados vão os abraços para Maria, a importante-tua. E lembranças como cogumelos… Abraços

  2. TINTA PERMANENTE 4 Dezembro, 2007 / 18:17

    A coisa semelhante se propõe para cada uma vez por cada mês que passe.
    O ‘difícil’ me parece é achar quem se disponha a confessar o ano…
    Abram-se, mesmo assim, as inscrições!
    abraços, a toda(o)s!

  3. Ana Ramon 4 Dezembro, 2007 / 14:32

    Embora atrasada aqui deixo os meus votos de felicidades à menina Maria. E também deixo um abraço de parabéns ao autor destes belíssimos textos e fotos.
    É sempre um prazer entrar neste cantinho de memórias… e não só.

  4. APC 4 Dezembro, 2007 / 00:12

    Aquilino Ribeiro tornava-se senhor de uma carreira docente, António Vitorino de Almeida revelava-se grande ainda em pequeno e alguém muito especial nascia! Mas é claro que a ordem de importância dos fenómenos estará invertida! 😉
    Nascer é mesmo uma coisa do arco-da-velha! E crescer também! Até morrer, assim nos lembra a árvore, no seu grande apelo. E a foto é excelente. E tens muitos por quem voltar, por isso não te atrases! 🙂
    Fica um abraço, já sabes.

  5. Meg 1 Dezembro, 2007 / 14:09

    Eu não sei quem faz 51 anos, mas que lhe desejo, pelo menos, mais 51 cheios de alegria.
    E adorei a prosa e as memórias, um revisitar de tempos felizes.
    Mais uma vez os meus parabéns, num abraço.
    Bom fim de semana

  6. http://estrelanomar.blogs.sapo.pt 1 Dezembro, 2007 / 03:44

    Olá
    Como cheguei até aqui?
    e por isso vou comentar
    Porque gostei do que li!
    Beijinhos vou deixar!
    Bjs estrelados

  7. un dress 30 Novembro, 2007 / 09:16

    que viagem no tempo!
    parece que decorreram anos-luz!!
    então a situação dos brincos de ouro e dos rebuçados…ai…:)
    abraÇo.bOm.dia ~

  8. Maria Laura 29 Novembro, 2007 / 21:19

    Adoro estes textos que nos levam para tempos de que alguns ainda se lembram… 🙂 Eram muito diferentes as coisas? Talvez mais a forma de as dizer….
    Espermos a volta. 🙂

  9. elvira carvalho 29 Novembro, 2007 / 00:05

    Interessante. Quer dizer que essa menina faz hoje a bonita idade de 51 anos. E então apetece-me dizer Parabéns.
    Um abraço

  10. Justine 28 Novembro, 2007 / 17:55

    Encantador, este jornal da época, que me fez recuar até aos hábitos e figuras da altura.

  11. Gi 28 Novembro, 2007 / 17:08

    Quando o meu neto nasceu o meu genro fez uma recolha de todas as notícias (pelos menos as mais importantes) que foram publicadas nos jornais diários de todo o Mundo. Encabeça a lista o nascimento do nosso mais que tudo. para nós o acontecimento mais importante naquele dia a nível Mundial. Suponho que tenha sido algo parecido o que te levou a escrever este post. É bom sentir que alguém nos considera assim tão importantes que sejamos dignos de registo. Eu pelo menos sinto assim.

    Gostei de te ler (para não variar)

    Obrigada por mais este momento

  12. Jardineira aprendiz 28 Novembro, 2007 / 12:31

    Faltou só uma coisita, em 1938 neste dia nasceu a minha mãe. Coisas do arco da velha, se isso não tivesse acontecido este comentário também não era escrito 😉

    (Isto é um comentário um bocadinho egocêntrico, peço desculpa)

  13. Anónimo 28 Novembro, 2007 / 00:32

    Há coisas do arco-da-velha!
    Então não é que neste dia, mas em 1956, eu nasci na Maternidade Júlio Dinis, no Porto!
    Estive para ser Alice, mas acabei Maria!
    Se não fosse certo que a bússola descansa na gaveta da mesa-de-cabeceira e o manual dos escuteiros Mirim há muito que não me é preciso, julgava que falavam de mim na Net!
    Mas não! Se o António Vitorino de Almeida só tinha 17 anos, há aqui qualquer coisa de errado.
    Vão ver que eu não nasci nada em 1956!
    Ou não me chamo Maria!
    Mas que me perco por estes textos, sem jeito para dizer quanto, lá isso é verdade. E a foto é linda!
    Maria

  14. Maria 27 Novembro, 2007 / 23:52

    Delicioso, este post…..
    Para registar, o que eu aprendi aqui, hoje.
    Eu sei porquê….
    Abraço

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