Nossa Senhora da Quietação

Nossa Senhora da Quietação veio para Portugal pela mão das freiras flamengas, poucos meses depois (no ano de 1581) de Filipe II, o Prudente, de Espanha se tornar Filipe I de Portugal.
Oriundas da Flandres (região flamenga, na actual Bélgica), na altura sob a alçada de Espanha, as Flamengas (na forma primitiva, Framengas, cuja denominação deriva do idioma que era comum a todos, na terra de onde eram originárias) viram-se fugidas do seu convento, por causa da guerra que então se travava nos Países Baixos e que atingiu particularmente a sua terra, Alkmaar.
Quando chegaram a Portugal i
nstalaram-se em Alcântara, ao que consta por escolha pessoal do próprio monarca, junto à praia, não muito afastadas do Palácio Real.
É verdade que o frondoso e alargado vale de Alcântara, bordejado pelas ribeiras de Alcântara e do Alvito, denso de vegetação, nas proximidades do Tejo, desde os começos do século XII era repartido e atribuído pelos reis, como recompensas, aos nobres e a ordens religiosas ou militares.
Aí, narra uma lenda local, um rico genovês ergueu um sumptuoso palácio, para logo perder toda a sua riqueza ao subsidiar a campanha de D. Sebastião a Alcácer-Quibir.
Em 1520, nas hortas de D. Jerónimo de Eça, construiu-se um hospital por causa da peste que assolava a cidade. Por essa altura, junto aos limites da freguesia de Santo Amaro, então criada, seria erguido o Convento de Nossa Senhora da Quietação perto do Palácio Real de Alcântara,  este que acabaria por sucumbir ao terramoto, em 1755.
Antes da catástrofe, o Pacífico D. Pedro II iria viver ali, no Real Palácio, e tornar-se Juiz Perpétuo da Irmandade de Nossa Senhora da Quietação.
Provisoriamente alojadas no Convento das Carmelitas Descalças de Santo Alberto, em Carnide, as monjas flamengas mudaram-se definitivamente para o actual convento, exactamente há 435 anos (8 de Dezembro de 1586).
A Invocação escolhida foi a de Nossa Senhora da Quietação, orago evocativo da calma e da paz que procuravam, para que nunca mais sofressem as inquietações do passado.
No mosteiro, assim se manteve o recolhimento e a branda pacatez durante 276 anos. Em 1862 eram extintos todos os conventos, mosteiros, colégios e hospícios das religiosas; trinta anos antes já tinha acontecido o mesmo aos masculinos.