ó da guarda!…

Durante séculos (até às uns poucos minutos atrás, passe a metáfora) a única tecnologia disponível para nos servir em momentos de grande aperto era a boa capacidade dos pulmões que nos permitisse fazer ouvir o mais longe possível o grito ó da guarda, quem me acuda!…
A origem da locução, provavelmente, andará por aqui:
(…) Depois de deitados fora os mouros de Hespanhas, edificou a Cidade da Guarda El-Rei Dom Sancho I em um alto monte que de antes, em tempos de guerras, tinha hua torre que seruia de attalaya a que chamauão guarda, e daqui tomou a Cidade o nome.(…)
É assim que Belchior Pina da Fonseca, em Chronologia dos Bispos da Guarda, explica a origem do nome desta cidade, numa opinião partilhada por diversos autores e que, aliás, ninguém parece contestar. Escrevendo, no século XVII, sobre a Guarda, Fernando da Soledade considerava-a mesmo a chave do Reino, pois, justificava, era decisiva na defesa do território nacional.
E tanto, sublinhe-se, que a tradição popular garante mesmo que, uma vez, um mouro, ao tocar com a mão na porta da cidade, ficou com o braço todo seco.
Na Guarda, recorda ainda Fernando da Soledade, existia uma torre chamada da guarda (hoje, Torre Velha), cuja função principal era guardar a região dos assaltos ordinários dos mouros. Daí, conclui, o nome da cidade e o seu ajustamento à sua função primordial. Ó da Guarda, será?…
Fica, ainda, a curiosidade para quem não sabe: esta é a cidade dos cinco efes: Forte, devido à torre e às muralhas, Farta, pela riqueza do seu vale, Fria, pela cercania à Serra da Estrela, Fiel, porque nunca se entregou em qualquer peleja e Formosa, pela sua inigualável beleza natural.

 

 

 

 

(melhor é o guardador que o ganhador)

13 comentários sobre “ó da guarda!…

  1. filomeno2006 27 Setembro, 2008 / 12:36

    Guarda, simpatiquísima ciudad de la Lusitania Interior

  2. Gi 9 Março, 2008 / 16:20

    Que bem sabe esta tua história com estórias.
    Um beijo

  3. Ana Paula 28 Fevereiro, 2008 / 10:36

    Lembrar a Guarda e “ó da guarda”. Gostei mesmo!
    Conheço a Guarda e é uma daquelas cidades que têm uma alma muito própria. Envolta, para mim, em especiais recordações…
    Obrigada! 🙂

  4. bettips 27 Fevereiro, 2008 / 23:22

    Só uma vez, de passagem, na Guarda tão fria e fermosa … e mais um laço teu, a unir a ideia e a tecer a teia.
    Bjs

  5. Justine 27 Fevereiro, 2008 / 22:31

    Belíssimo registo, a honrar a cidade que representa, e mais esta oferta tua , a trazer-nos à memória saberes esquecidos.
    P.S.: houve bons ventos à ida e à volta, obrigada 🙂

  6. Maria Laura 27 Fevereiro, 2008 / 10:58

    E eu, que gosto tanto da Guarda, fiquei ainda a gostar mais.
    Adorei a foto.

  7. Carla 26 Fevereiro, 2008 / 17:43

    Uma interessante lição de História, dada como quem conta uma história, que tão bem sabes contar!

  8. un dress 26 Fevereiro, 2008 / 16:50

    nem poderia ser mais literal…!
    – ó da guarda!
    beijO

  9. Meg 26 Fevereiro, 2008 / 16:40

    Realmente não fazia ideia de onde vinha esta expressão já quase não usada. Mas pelos caminhos que as “coisas” vão, acho que ainda vamos precisar de a gritar… quem sabe!
    Adoro estes teus temas.
    Um abraço

  10. Maria 26 Fevereiro, 2008 / 03:17

    Invejo-te, rendadebilros…..
    Adoro a Guarda, já lá passei umas temporadas, conheço muito bem esta rua… esta casa……
    … enfim, gosto de me passear por lá…
    Obrigada, TP

  11. APC 26 Fevereiro, 2008 / 03:03

    E apetecia-me passar por debaixo dessa porta dos ferreiros! 🙂

  12. Ana 25 Fevereiro, 2008 / 20:31

    Hola
    Eu sempre pensei que esa expresao, tinha alguma coisa que ver con o anjo da guarda.
    Interesante.
    Beijos desde Vigo

  13. rendadebilros 25 Fevereiro, 2008 / 19:59

    Eu por aí ando: quase todos os dias passo junto a essa porta…
    Um abraço.

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