o nome dos dias da semana

A gravura aqui reproduzida, representa os Signos de Zodíaco, conforme a Colecção das pedras gravadas da Casa d’Orléans, foi publicada na revista Astronomia, da Sociedade Astronómica de França, em Fevereiro de 1916.
O artigo subjacente a esta gravura pretendia mostrar a origem dos nomes dados aos dias da semana, na língua latina. Assim, dizia, se inscrevermos os planetas pela ordem em que se sucedem aqui, e no mesmo sentido que a sucessão dos signos de Zodíaco, estes apresentam-se da seguinte maneira:
Sol (por baixo de Carneiro e dos Peixes, no equinócio da Primavera);
Vénus (sob o Touro e Gémeos);
Mercúrio (sob o Caranguejo e o Leão);
Lua (sob a Virgem e a Baleia);
Saturno (sob o Escorpião);
Júpiter (sob o Sagitário);
Marte (sob o Capricórnio e o Aquário).
(a ordem segundo a qual os astros estão colocados é a ordem astrológica que se encontra, por exemplo, nas figuras planetárias de Raphael, reproduzidas por Camille Flammarion, na sua obra As Terras do Céu)
Cada uma das 24 horas do dia era regida por um planeta, segundo esta ordem:
1ª hora, Sol
2ª hora, Vénus
3ª hora, Mercúrio
4ª hora, Lua
5ª hora, Saturno
6ª hora, Júpiter
7ª hora, Marte
Continuando esta ordem para as horas seguintes, verifica-se que a 23ª hora é consagrada a Vénus e a 24ª a Mercúrio. Nesse contexto a 25ª hora, ou a 1ª hora do dia seguinte, é consagrada à Lua, e assim teremos para o dia seguinte:

1ª hora, Lua
2ª hora, Saturno
3ª hora, Júpiter
4ª hora, Marte
5ª hora, Sol
6ª hora, Vénus
7ª hora, Mercúrio
E assim sucessivamente. Se começamos pelo Sol, tomando em cada dia consecutivo o nome da sua primeira hora, designada de horoscopo, temos, portanto, consagrados à Lua, a Marte, a Mercúrio, a Júpiter, a Vénus, a Saturno, os sete dias da semana apresentados desta forma:

Dia do Sol: Solis dies;
Dia da Lua:
Luna dies;
Dia de Marte:
Martis dies;
Dia de Mercúrio:
Mercuri dies;
Dia de Júpiter:
Jovis dies;
Dia de Vénus:
Veneris dies;
Dia de Saturno:
Saturni dies.
Estas designações mantiveram-se em muitas línguas, como a francesa, na qual só o dia do Sol passou a ser dimanche (dies Dominica, dia do Senhor). Mesmo os ingleses, que disseram primeiro sonnenday, hoje dizem Sunday (dia do Sol), tal como os alemães (Sonntag), os holandeses (zondag) ou os suecos e dinamarqueses (sondag).

Das diversas propostas de explicação, esta gravura representa, sem dúvida, a mais simples e verosímil proposta de explicação para a origem dos nomes dos dias da semana, dados e conservados por muitos povos.

 

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18 comentários sobre “o nome dos dias da semana

  1. P Batista 25 Julho, 2008 / 18:09

    Não é Baleia, é Balança!!!

    Segue o zodiaco!
    Uma curiosidade
    Mais tarde, quando o restabeleceram a ordem dos regentes,
    Passou-se a completar um circulo deste modo:
    Leão – Sol
    Caranguejo – Lua
    Gémeos e Virgem – Mercúrio
    Touro e Balança – Vénus
    Carneiro e Escorpião – Marte
    Peixes e Sagitário – Júpiter
    Aquário e Capricórnio – Saturno.

    Com a introdução de Úrano, Neptuno e Plutão no zodiaco, Marte, Júpiter e Saturno perderam um signo.
    Passando:
    Aquário – Úrano
    Peixes – Neptuno
    Escorpião – Plutão
    Acabando deste modo o efeito circular (e esférico) que detinha até à data.

  2. Jardineira aprendiz 19 Fevereiro, 2008 / 22:39

    E no entanto bem complicado! Sempre achei mais graça a esta denominação que às nossas feiras. Também gostava de saber porque é que neste caso decidimos ser diferentes. Será por causa da costela de comerciante dos árabes? 🙂

  3. Justine 18 Fevereiro, 2008 / 23:57

    TP, desculpa, eu entro um bocadinho só para uma palavrinha à Ivone: não conheço a versão dita pelo viegas, mas irei ouvi-la, obrigada pela sugestão.
    Pronto, TP, já estou a fechar a porta, desculpa a intromissão…

  4. ivone 18 Fevereiro, 2008 / 21:31

    justine

    sem dúvida que é belíssimo este poema de manuel da fonseca

    conheces a versão dita por mário viegas?
    genial! se puderes ouve. é imperdível.

  5. bettips 18 Fevereiro, 2008 / 17:35

    Sempre me vem à memória o sunday, bloody sunday. Quer dizer, não o filme mas os raios dos domingos que M. da Fonseca tão bem aqui retrata. Mais uma aprendizagem na beleza das palavras.
    Bjinhos

  6. Maria Laura 18 Fevereiro, 2008 / 16:29

    Aqui ficamos sempre a saber mais. E há alguma magia nesta explicação. Gosto. 🙂

  7. Maria Luar 18 Fevereiro, 2008 / 15:34

    Uma explicação interessante, útil, clara…
    Conserva este espírito. A lua passará por aqui.

    Abraço

    *
    xi

    *

  8. APC 18 Fevereiro, 2008 / 02:53

    Interessante e bonito! 🙂

  9. Leonor 17 Fevereiro, 2008 / 22:12

    tenho alguma bibliografia sobre mas… está aqui muito bem explicado

    a história do nosso calendário é um assunto interessante, algo desconhecido ouso dizer, a merecer divulgação

    tenha uma boa semana

  10. Justine 17 Fevereiro, 2008 / 19:51

    Mais uma interessante e proveitosa lição ao domicílio, hoje que não esteve dia para pôr o nariz fora de casa(as fadas hoje recolheram a Primavera debaixo dos seus vestidos…).

    Por isso fica prometido que
    …Domingo que vem
    eu vou fazer as coisas mais belas
    que um homem pode fazer na vida!”

    (que me perdoe a Ivone e o TP, mas este é um dos poemas mais pungentes do Manel da Fonseca, e que sempre me emociona, por mil vezes que o leia)

  11. Frioleiras 17 Fevereiro, 2008 / 18:48

    as coisas e propostas que por aqui se descortinam……
    aprendo imenso contigo,
    e de coisas q gosto!

  12. nana 17 Fevereiro, 2008 / 17:29

    uau….

    :o)

  13. Vieira Calado 17 Fevereiro, 2008 / 14:45

    Conhecia alguma coisa sobre este assunto, mas fiquei a saber mais.
    Bom Domingo para si.

  14. ivone 17 Fevereiro, 2008 / 13:16

    e porque hoje é domingo
    deixo_te com manuel da fonseca

    Quando chega domingo,
    faço tenção de todas as coisas mais belas
    que um homem pode fazer na vida.

    Há quem vá para o pé das águas
    deitar-se na areia e não pensar…
    E há os que vão para o campo
    cheios de grandes sentimentos bucólicos
    porque leram, de véspera, no boletim do jornal:
    «bom tempo para amanhã»…
    Mas uma maioria sai para as ruas pedindo,
    pois nesse dia
    aqueles que passeiam com a mulher e os filhos
    são mais generosos.
    Um rapaz que era pintor
    não disse nada a ninguém
    e escolheu o domingo para se matar.
    Ainda hoje a família e os amigos
    andam pensando porque seria.
    Só não relacionam que se matou num domingo!
    Mariazinha Santos
    (aquela que um dia se quis entregar,
    que era o que a família desejava,
    para que o seu futuro ficasse resolvido),
    Mariazinha Santos
    quando chega domingo,
    vai com uma amiga para o cinema.
    Deixa que lhe apalpem as coxas
    e abafa os suspiros mordendo um lencinho que sua mãe lhe bordou,
    quando ela era ainda muito menina…
    Para eu contar isto
    é que conheço todas as horas que fazem um dia de domingo!
    À hora negra das noites frias e longas
    sei duma hora numa escada
    onde uma velha põe sua neta
    e vem sorrir aos homens que passam!
    E a costureirinha mais honesta que eu namorei
    vendeu a virgindade num domingo
    — porque é o dia em que estão fechadas as casas de penhores!

    Há mais amargura nisto
    que em toda a História das Guerras.

    Partindo deste princípio,
    que os economistas desconhecem ou fingem desconhecer,
    eu podia destruir esta civilização capitalista, que inventou o domingo.
    E esta era uma das coisas mais belas
    que um homem podia fazer na vida!

    Então,
    todas as raparigas amariam no tempo próprio
    e tudo seria natural
    sem mendigos nas ruas nem casas de penhores…

    Penso isto, e vou a grandes passadas…
    E um domingo parei numa praça
    e pus-me a gritar o que sentia,
    mas todos acharam estranhos os meus modos
    e estranha a minha voz…
    Mariazinha Santos foi para o cinema
    e outras menearam as ancas
    — ao sol
    como num ritual consagrado a um deus! —
    até chegar o homem bem-amado entre todos
    com uma nota de cem na mão estendida…

    Venha a miséria maior que todas
    secar o último restolho de moral que em mim resta;
    e eu fique rude como o deserto
    e agreste como o recorte das altas serras;
    venha a ânsia do peito para os braços!

    E vou a grandes passadas
    como um louco maior que a sua loucura…
    O rapaz que era pintor
    aconchegou-se sobre a linha férrea
    para que a morte o desfigurasse
    e o seu corpo anónimo fosse uma bandeira trágica
    de revolta contra o mundo.
    Mas como o rosto lhe estava intacto
    vai a família ao necrotério e ficou aterrada!
    Conheci-o numa noite de bebedeira
    e acho tudo aquilo natural.
    A costureirinha que eu namorei
    deixava-se ir para as ruas escuras
    sem nenhum receio.
    Uma vez que chovia até entrámos numa escada.
    Somente sequer um beijo trocámos…
    E isto porque no momento próprio
    olhava para mim com um propósito tão sereno
    que eu, que dela só desejava o corpo bom feito,
    me punha a observar o outro aspecto do seu rosto,
    que era aquela serenidade
    de pessoa que tem a vida cheia e inteira.
    No entanto, ela nunca pôs obstáculo
    que nesse instante as minhas mãos segurassem as suas.
    Hoje encontramo-nos aí pelos cafés…
    (ela está sempre com sujeitos decentes)
    e quando nos fitamos nos olhos,
    bem lá no fundo dos olhos,
    eu que sou homem nascido
    para fazer as coisas mais heróicas da vida
    viro a cabeça para o lado e digo:
    — rapaz, traz-me um café…
    O meu amigo, que era pintor,
    contou-me numa noite de bebedeira:
    — Olha,
    quando chega domingo,
    não há nada melhor que ir para o futebol…
    E como os olhos se me enevoassem de água,
    continuou com uma voz
    que deve ser igual à que se ouve nos sonhos:
    — …. no entanto, conheço um homem
    que ia para a beira do rio
    e passava um dia inteirinho de domingo
    segurando uma cana donde caia um fio para a água…
    … um dia pescou um peixe,
    e nunca mais lá voltou…
    O pior é pensar:
    que hei-de fazer hoje, que toda a gente anda alegre
    como se fosse uma festa?… —
    O rapaz que era pintor sabia uma ciência rara,
    tão rara e certa e maravilhosa
    que deslumbrado se matou.

    Pago o café e saio a grandes passadas.
    Hoje e depois e todos os dias que vierem,
    amo a vida mais e mais
    que aqueles que sabem que vão morrer amanhã!

    Mariazinha Santos,
    que vá para o cinema morder o lencinho que sua mãe lhe bordou…
    E os senhores serenos, acompanhados da mulher e dos filhos,
    que parem ao sol
    e joguem um tostão na mão dos pedintes…
    E a menina das horas longas e frias
    continue pela mão de sua avó…
    E tu, que só andas com cavalheiros decentes,
    ó costureirinha honesta que eu namorei um dia,
    fita-me bem no fundo dos olhos,
    fita-me bem no fundo dos olhos!

    Então,
    virá a miséria maior que todas
    secar o último restolho de moral que em mim resta;
    e eu ficarei rude como o deserto
    e agreste como o recorte das altas serras:
    e virá a ânsia do peito para os braços!

    Domingo que vem,
    eu vou fazer as coisas mais belas
    que um homem pode fazer na vida!

  15. un dress 17 Fevereiro, 2008 / 13:13

    E como é bom lembrar e

    reconhecer A LIGAÇÂO das coisas,

    dos nomes e práticas

    a uma outra vida:

    mais pura.

    mais mágica!

    .beijO

  16. Maria P. 17 Fevereiro, 2008 / 12:52

    Mais uma pérola de sabedoria! Claro que fiquei a saber que tenho Vénus a influenciar o meu signo: Touro, que seja uma boa influência…espero:)

    Um abraço*

    P.S.
    “Lua (sob a Virgem e a Baleia);” é mesmo baleia?!…desculpa a falta de conhecimento.

  17. Gi 16 Fevereiro, 2008 / 23:21

    At� que enfim p�es aqui alguma coisa que eu conhe�o quase na integra. O que sempre me fez confus�o foi o a associa�o que se faz na nossa l�ngua aos dias de feira… tens explica�o para isso?

    Um beijinho, bom fim de semana

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