ora experimente lá!…

as arremedas e as desarremedas

 

De todos os saberes de almanaque de cultura popular, geralmente interligando a meteorologia, a agricultura e alguma tradição ou crença, surgiu uma forma curiosa de prever o estado do tempo para o ano inteiro. São, no dizer do lavrador as arremedas e as desarremedas. De que se trata?…
Bom, talvez por um lado tenha sido o querer saber antecipadamente o estado do tempo mas, por outro lado, não deixa de haver aqui muito da tentação divinatória do Homem à mistura com algum pragmatismo relativamente às perdas e ganhos nas colheitas, tão necessário no seu quotidiano.
Assim, explica-se, sobre as arremedas e as desarremedas: ‘arremedar o tempo que fará, é prever o estado atmosférico dos meses do ano’. A operação chama-se arremeda porque os dias que servem para a previsão climatérica, imitam, isto é, arremedam os meses respectivamente convencionados. Como estiver o dia do arremedo assim será o mês correspondente. A arremeda do ano faz-se, então, por observação do estado atmosférico dos dias, que decorrem entre o dia de Santa Luzia (13) até à véspera do nascimento do Menino (24), no ano anterior.
A regra adoptada, será então:

o dia 13 de Dezembro arremeda (será igual) o mês de Janeiro do ano seguinte,
o dia 14 de Dezembro arremeda o mês de Fevereiro do ano seguinte,
…e assim sucessivamente.

Mas, para tirar as dúvidas, faz-se a desarremeda que é, nem mais nem menos, a prova real da operação da arremeda. Ou seja, consiste em refazer o que está feito, repetindo para isso a operação, depois de terminada e, claro, logo a seguir a ela. A segunda leitura irá confirmar ou prejudicar a primeira; terminadas que sejam as duas séries de observações, a segunda é a que, definitivamente, vai valer.
As desarremedas, serão, pois:
o dia 25 de Dezembro desarremeda e marca Janeiro,
o dia 26 de Dezembro desarremeda e marca Fevereiro,
etc. etc.

Não se sabe, nem se pode considerar como adquirido, que astrólogos e camponeses procedam da mesma forma e utilizem os mesmos métodos para as previsões do tempo. Sabe-se, isso sim, que esta prática é tão antiga quanto a ligação do Homem à terra e há saberes de almanaque referidos desde o século XI.
Mesmo que esta sabedoria peque por grosso defeito, a verdade é que parece duvidoso que sem essa mesma sabedoria, da qual os almanaques parecem ser apenas uma pequena parcela, alguma vez o Homem tivesse conseguido produzir a mais das míseras cenouras. Aposta?
Experimente…

 

 

 

(bom saber he callar, ate ser tempo de fallar)

9 comentários sobre “ora experimente lá!…

  1. Natália 17 Dezembro, 2019 / 19:09

    Faço isto todos os anos, com uma diferença, o dia de Natal não conta, termino no 6 de Reis.
    Para além desta, faço outra mais simples: na Noite de Natal vou para a rua ao bater a meia noite acendo uns guardanapos de papel, se o vento vier de sul, o ano seguinte é seco, de norte é chuvoso.
    Abraço

  2. jorgesteves 26 Dezembro, 2018 / 17:40

    Bem aparecida, amiga! Espero que não tenha sido uma ausência por dispensadas razões!
    Tanto o Borda d’Água como o Seringador, se não for este o método, deve ser outro em tudo semelhante. A Tia Brizida, coitada, já é defunta…
    Aqui não, pois não podes colar, nem postalecos de Natal. Ficar a seco não fico: já é bem festejada a tua vinda até cá. Aparece, sempre que queiras.
    Abraço.
    jorge

  3. jorgesteves 26 Dezembro, 2018 / 17:32

    Não só na Beira-Baixa, amigo Gonçalo; que saiba, também é conhecido o uso bem acima, na Beira-Alta e, até, um pouco espalhado por Trás-os-Montes.
    O emblema da Nikon, na Introdução: sei que acabou, sim, embora nem sequer lhe saiba dizer quando isso aconteceu. Deixei o clube alguns anos antes e, creio por volta de 2013 já não existia. Restam, que saiba, alguns contactos de antigos membros. Se quiser alguns contactos diga.
    Grato pela sua vinda aqui. Abraço.
    jorge

  4. jorgesteves 26 Dezembro, 2018 / 17:26

    Ora cá fico à espera, Fernanda…
    Abraço.
    jorge

  5. jorgesteves 26 Dezembro, 2018 / 17:25

    Ao que parece não arremendam lá muito certinho, mas não deixa de ser uma interessante prenunciação, importante que era na lavoura. É verdade que já leste, sim; de vez em quando, aos propósitos vou lá ao fundo da Arca buscar coisas…
    Grato por te ver por aqui.
    Abraço.
    jorge

  6. Afrodite 21 Dezembro, 2018 / 23:21

    Fiquei estupefacta! Não conhecia estas práticas!
    Mas será que o “Borda d’Água” e o “Seringador” usam este método para fazerem as suas previsões? Durante muitos anos fui leitora assídua do Seringador e lia e relia as suas conversas com a Tia Brízida… 🙂
    Mas hoje estou cá por outro assunto!
    Vim trazer votos de um Santo e Feliz Natal!
    Tinha um “postalzinho” para te deixar aqui na caixa de comentários… mas já que não se pode colar aqui nada… ficam votos de Boas Festas “a seco”! 🙂
    Beijinhos natalícios
    (^^)

  7. Gonçalo Araújo 14 Dezembro, 2018 / 10:04

    Para os meus lados na Beira Baixa há uma coisa parecida mas é para os primeiro doze dias do mês de dezembro. De qualquer forma é curioso e sim é muito antigo que o meu avô dizia que aprendeu com uma tia avó. Gosto bastante de passar por aqui.
    Desculpe, na Introução vi que usa a Nikon. Sabe dizer-me porque acabou o clube?
    Grande abraço.

  8. Fernanda Afonso 11 Dezembro, 2018 / 19:53

    A minha avó sabia isto e dizia que acertava na maioria dos meses. Vou experimentar e depois digo-te.
    bjos.

  9. tb 11 Dezembro, 2018 / 19:43

    Já tinha lido este ‘arremedanço’ mas adorei reler!
    Uma experiência a fazer de facto. É que despertaste a minha curiosidade. 🙂
    Beijo, muito grata por estas pérolas.

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