está um barbeiro

 

 

 

 

 

 

 

 

 


No norte, especialmente no litoral, toda a gente sabe o que é está um barbeiro.

O vento norte, cerrado e soprado forte das bandas de Espanha, chega-nos à cara, gélido e áspero como se fosse um serrote; daí que não seja estranho se fizer lembrar um barbeiro inepto, com uma velha navalha a desancar a cara do desgraçado freguês.
Aguentar aquele arejo insuportável é o mesmo que estar sujeito a um fúfio barbeiro.
Ou um barbeirinho, como há quem assim diga.
Nas suas Passadas de Erradio, escrevia Ricardo Jorge que chove se Deus a dá e a navalha desbocada de um vento barbeiro rapa os queixos ao transeunte, arrepiando o coiro.

 

 

 

(não hei medo ao frio nem à geada, senão à chuva porfiada)

trabalhar para o bispo

Aforismo que se entende como trabalhar sem lucro, benefício ou interesse.
Explica-o as origens em antigos costumes medievos, de extorsão e corveia que a nobreza e o clero impunham aos vilões, que pagavam vários tributos: mortualhas, colectas e as terças, que as haviam pontificais, para a mitra, e reais, para o trono.
Existe, na Toscana, o provérbio percare pel consul que tem o mesmo sentido.
É que um magistrado florentino, o procônsul, tinha o privilégio da pesca entre as duas pontes sobre o Arno, a velha e a nova. Também na França se diz travailler pour le roi de Prusse. Embora atribuída a Voltaire, trata-se de uma locução popular, cuja origem está no senso de economia, melhor dito, de avareza, dos primeiros reis da Prússia. Mesmo Frederico II arranjara um meio de pagar um dia a menos de soldo aos seus soldados, nos meses de trinta dias…
Lá ia um dia para o bispo, para o cuco, para o boneco, para aquecer, para o ganga, pela borda fora

 

 

 

(pôr anel de ouro em focinho de porco)