mais vale um pássaro na mão…

Mais vale um pássaro na mão, que dois a voar, sentença bem conhecida que encerra uma moralidade tantas vezes ignorada, que pode ser trocada por uma outra, mais taxativa, que diz quem tudo quer tudo perde.
Ao que parece ser a hipótese mais consensual, a sua origem estará no empirismo que resulta da caça. Os caçadores entendem ser mais avisado apanhar logo o animal ou a ave atingida de raspão, antes que possa fugir, do que tentar atirar nos que estavam por perto e já em fuga, situação em que tem grande probabilidade de errar o alvo.

 

 

 

 

(com vontade de ter tamancos mete os pés em bocas de cântaros)

comer muito queijo

Comer muito queijo é a causa de quem é esquecido, distraído ou tem má memória (normalmente aplicado no sentido subjectivo de assim ser porque convém que assim seja…).
A origem deste dito bem português estará, provavelmente, na explicação da relação de causalidade que, em séculos anteriores, era estabelecida entre a ingestão de lacticínios e a diminuição de certas faculdades intelectuais, especificamente a memória.

A comprovar a existência desta crença podemos ler, neste excerto da obra do padre Manuel Bernardes, Nova Floresta, relativo aos procedimentos a observar para manter e exercitar a memória: (…) Há também memória artificial da qual uma parte consiste na abstinência de comeres nocivos a esta faculdade, como são lacticínios, carnes salgadas, frutas verdes, e vinho sem muita moderação: e também o demasiado uso do tabaco (…).
Sabe-se hoje, através dos conhecimentos resultantes dos estudos sobre memória e nutrição, que o leite e o queijo são fornecedores privilegiados de cálcio e de fósforo, elementos importantes para o trabalho cerebral.
Apesar do contributo da ciência para desmistificar uma antiga crença popular, a ideia do queijo como alimento nocivo à memória ficou cristalizada na expressão comer (muito) queijo.
É que nem para desculpa serve…

 

 

 

(vai o cântaro à fonte e deixa lá a rodilha)