Pedras Salgadas

Pedras Salgadas, é este o nome de uma estância termal transmontana que muita gente chegou a supor originado por um certo sabor salgado que as águas daquele lugar dariam às pedras.
A derivação, no entanto, é bem diversa segundo se lê no Óbolo às Crianças, de Camilo Castelo Branco e Francisco Martins Sarmento. Ali se relata que, nos fins do século IX, viviam numa casa acastelada de Rebordechão , duas velhas irmãs muito avarentas a quem o povo dava o nome de Salgadas. Numa noite foi a casa das velhas assaltada por um grupo de bandoleiros que, atraídos pelas muitas riquezas ali aferrolhadas, reduziram o prédio a um montão de ruínas. Quanto às velhas, tinham levado sumiço, não tendo sido possível descortinar o seu paradeiro. Tempos depois, um pequeno pastor que levava o seu rebanho até ao monte Castro, ao apanhar uma pedra para atirar a uma ovelha que seguia mau rumo, viu aparecer à flor da terra um dedo humano. Transido de medo, desatou aos berros quem me acode, quem em acode e, por fim, lá foram desenterrados vários pedaços de cadáver que, reconstituídos, deram as duas velhas desaparecidas que, afinal, os salteadores tinham esquartejado e enterrado. Os pés, esses, é que nunca mais apareceram, ficando o povo na ideia de que estariam ainda enterrados em qualquer lugar do monte. Daí o passarem a chamar-lhe Monte dos Pés das Salgadas que, por corruptela, viria a dar em Pedras Salgadas
Olhe, já agora, quando tiver oportunidade, vá até lá! Vai ver que é um belo passeio…
Aproveite a beleza luxuriante do parque para desentorpecer os… pés!

 

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(quem muito anda muito se cansa mas alguma coisa alcança)

20 comentários sobre “Pedras Salgadas

  1. Baila sem peso 26 Fevereiro, 2009 / 00:59

    Quem diria que duas avarentas
    se vestiriam de pedras salgadas?
    O nome ficou bem mais bonito
    depois de serem desenterradas!

    E seguindo essa linda imagem
    serão as “pedras salgadas”
    mas na condição da viagem
    “doce” caminho, no nome fadadas!

    E não será pé…mas antes o olho
    que a beleza não cansa, mas dança!

    Obrigada dar histórias a conhecer
    não serão todas belas…mas serão fruto de mais saber…

    Beijinhos

  2. Rosa dos Ventos 25 Fevereiro, 2009 / 18:17

    Gostei muito da explicação, mas, pelo sim pelo não, não volto a beber Pedras Salgadas! :-))
    Quanto ao local, vale de facto a pena ir lá.
    Abraço

  3. mdsol 25 Fevereiro, 2009 / 18:12

    Bolas!
    O que aqui se aprende! A sério… ando sempre a espreitar à espera de lição nova! E como escreve bem! E decerto já lhe disseram que deveria publicar estes “ensinamentos” de uma forma mais ortodoxa… Publicados com tinta permanente!!!!
    Não acha que seria boa ideia?
    :)))

  4. São 25 Fevereiro, 2009 / 17:04

    Pois, para desentorpecer os pés, não é?…E para quse se espalhar por inteiro, porque os saltos dos sapatos ficaram presos e se partiram, rrrsss( rio-me agora, que na hora fiquei furiosa)
    Tudo de bom.

  5. folkosfera 25 Fevereiro, 2009 / 12:03

    Quantas histórias se escondem por detrás dos nomes. O seu estudo – a onomástica – é sempre fascinante!
    Como é a primeira vez que por aqui passo quero deixar dito que gostei do li e que cá vou voltar regularmente.
    Cumprimentos.

  6. Arménia Baptista 24 Fevereiro, 2009 / 23:48

    Não conhecia a história de um sítio que muitas vezes visitei e palmilhei…E as árvores?… Simplesmente magníficas…
    ;))

  7. bettips 24 Fevereiro, 2009 / 22:45

    Gosto de termas, caminhos com árvores dolentes, lendas, pés andantes, mentes sãs mesmo que o corpo esteja debilitado
    … e muito de aqui aprender!
    Bjinho

  8. APC 24 Fevereiro, 2009 / 22:34

    Antes de mais nada, a imagem é de uma beleza tão doce! A história, agradabilíssima, é mais uma daquelas coisas que “we’ll never know”, a dar o sal que se quer à imaginação da gente. Termal, este momento de pedras e bosque e lendas às quais se perderam os pés. Aqui, alcança-se sem cansaço.

    Um abraço, ternal

  9. Justine 24 Fevereiro, 2009 / 15:50

    História um pouco macabra, mas interessante, como sempre!
    E o passeio, esse é de fazer, quanto antes:))

  10. dona tela 24 Fevereiro, 2009 / 15:33

    Ih o que eu posso aprender aqui!! Se a cabecinha me ajudar, bem entendido.
    Muitos cumprimentos.

  11. pin gente 24 Fevereiro, 2009 / 15:13

    muito interessante. desconhecia e adorei ficar a saber.
    parece ser um bonito local. não me esquecerei da tua recomendação.
    um abraço
    luísa

  12. De Amor e de Terra 24 Fevereiro, 2009 / 14:53

    Como sempre digo, sem cansar e sem “passar a mão pelo pêlo”, cada vez que cá venho, é para aprender!
    Mais uma vez se confirma este meu dito…
    “Que cousas Vossemecê sabe!…”
    Haja cabeça para encasquetar tudo isto!…
    Obrigada pela visita e pela partilha.
    Bj.
    Maria Mamede

  13. Arabica 24 Fevereiro, 2009 / 11:35

    Mais uma rota que ainda não conheço e uma história que desconhecia por completo.
    E com estas palavras, já me levaste a passear…
    Bom feriado!

  14. elvira carvalho 24 Fevereiro, 2009 / 10:37

    Não conhecia a história, da terra, que pude comprovar há três anos é realmente muito bonita.
    Em dia de Carnaval, desejo-lhe um dia divertido.
    Um abraço

  15. alice 24 Fevereiro, 2009 / 10:34

    sempre tive muita curiosidade por conhecer as razões por trás dos nomes dos sítios, sobretudo estes que se prendem com a natureza e que tão bem nos fazem à alma 🙂 os pés das salgadas é um nome bonito, fica-se logo a pensar como surgiu e nada melhor do que ler para saber 🙂 gostei muito! um beijo.

  16. gaivota 24 Fevereiro, 2009 / 09:38

    não conhecia a história, mas conheço bem o sítio, que é bem bonito, como tantos cantinhos do nosso portugal…
    um destino bonito para pasar un s dias, lá pelo norte!
    a água é ótima, viciante…
    beijinhos

  17. Paula Raposo 24 Fevereiro, 2009 / 01:47

    Nunca estive em Pedras Salgadas e não conhecia a origem do nome. É bom vir ler-te. Beijos.

  18. Vieira Calado 24 Fevereiro, 2009 / 00:18

    Não conhecia a estória.
    Obrigado.
    Um abraço

  19. mena m. 24 Fevereiro, 2009 / 00:08

    O que tu descobres!
    É sempre um prazer vir aqui, aprender algo de novo e sair pé ante pé com um sorriso nos lábios, pois encanta-me a tua maneira de contar estas histórias!
    Um abraço

  20. Cata-Vento 23 Fevereiro, 2009 / 22:06

    Desconhecia a história e sempre pensei que as pedras dessem às águas esse sabor a sal. Um boa sugestão para estes dias de descanso.
    Daqui saio sempre mais rica do que quando entro.
    Bem-hajas, amigo!
    Abraço fraterno

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