penetra

Diria que haverá muito pouca gente que desconheça este vocábulo do glossário popular, perfeitamente entendível que é a sua derivação directa do verbo penetrar. O que pouca gente saberá, com certeza, é que é com este achincalhe que, não raras vezes, os italianos se referem aos portugueses.
Por vezes, factos históricos dão origem a expressões que se tornam populares e se perpetuam no tempo. E muitas vezes, o uso dessas expressões não expressa a realidade dos factos ou induz a confusões sobre o carácter e a personalidade de um povo inteiro. É o caso da expressão italiana fare il portoghese. Os italianos chamam portoghese às pessoas que entram nas festas sem serem convidadas ou nos espectáculos sem pagarem bilhetes. Uns penetras!
A origem deste chiste pouco abonatório é, no entanto, curiosa, como vão ver. Mas vamos à história…
Começou há cerca de meio milénio e, exactamente ao contrário do que seria de supor, não é nada desprestigiante para os portugueses. Pelo contrário. Com os Descobrimentos, chegavam a Portugal especiarias, ouro, pérolas, madeiras e pedras preciosas vindos de África e do Oriente. Chegavam também animais exóticos nunca vistos na Europa.

Para homenagear (e impressionar…) o recém-eleito Papa Leão X, o nosso rei D. Manuel I enviou uma embaixada com ofertas de jóias, macacos, papagaios, cavalos persas, uma pantera, leopardos, um rinoceronte (que morreu pelo caminho) e até um elefante coberto com um pano de veludo e com um cofre em cima do dorso. No dia 12 de Março de 1514 chegava a Roma uma fabulosa embaixada e o Papa, em sinal de reconhecimento, deu ordem para que os portugueses tivessem entrada livre em todas as festas que se realizassem. A partir daí, o que aconteceu, então, foi que os Romanos, para poderem entrar sem pagar, diziam io sono portoghese e assim, com o trocadilho, ficámos nós com esta fama. Até hoje…
A impressão com que se fica, entretanto, é que com o passar do tempo a história verdadeira foi-se perdendo e quando se usa a expressão parece que se está a falar mal dos portugueses, como se eles fossem chicos-espertos, meliantes ou de pouca confiança, mas é totalmente o oposto: os romanos, esses sim, é que eram os eram os metidos a espertinhos, i furbi, como se diz em italiano.

 

 

 

(antes de entrar pensa em sair)