perder a face

Os chineses têm poucos dias festivos, ao longo do ano. E, de facto, pode dizer-se que os únicos que guardam são cinco: os cinco dias que precedem o novo ano. E estes dias são dedicados a todo o tipo de festividades religiosas e pagãs, a par de grande variedade de divertimentos.
Além disso, durante esses dias, observa-se também um muito velho costume que, talvez, aos ocidentais, quando o conheceram (os portugueses, entre os primeiros…), bem lhes tivesse agradado que tal uso se limitasse ao outro lado do mundo!…
Na China, de resto como em qualquer outro lugar, os devedores fazem tudo que lhes é possível para se esquivarem ao pagamento das suas dívidas e, por outro lado, também os credores empregam todos os esforços e artimanhas para que as suas contas sejam saldadas.
Ora, acontece (na China…), que se as contas não foram acertadas até esses últimos dias do ano, então, no derradeiro dia de qualquer familar, os credores aparecem nas casas dos devedores, entram, e sentam-se entre os presentes, sem dizer uma só palavra que seja. E assim permanecem até ao findar o dia. Logo que chegue a meia-noite, o credor levanta-se, cumprimenta os presentes e retira-se, tal como entrou, sem dizer nem mais uma palavra.
E, aí, ai do seu anfitrião, ou de quem lhe mereceu o cumprimento, pois que, segundo os usos, o devedor perdeu a cara (perder a face), isto é, passou a ficar conhecido por caloteiro, desfaçado e um sem-vergonha, a quem doravante ninguém mais fiará um yuan.

Daí que os portugueses, tenham trazido a expressão, adaptado o seu simbolismo ao incumprimento da palavra dada.
Sabiamente, deixaram ficar por lá o uso correcto do costume.
Chinesices…

 

 

 

(quem abona a caloteiro, perde o amigo e perde o dinheiro)