perder as estribeiras

O meu amigo Luís, que é um baita farrista, sempre disse que nos devemos portar como cavaleiros; geralmente há sempre quem caia na esparrela de o corrigir não! Luís, deve querer dizer cavalheiros!. Ele aproveita, debulha um riso fininho antes de sentenciar não, não cavaleiros é que é! Para não perdermos as estribeiras!...’.
Bom, vamos ao adágio. Como nós sabemos, perder as estribeiras será perder as conveniências, sejam elas sociais ou morais; destrambelhar completamente, perder todo e qualquer resquício de compostura, certo?
Então, comecemos pelo cavalo e pelo cavaleiro: se o cavaleiro é inábil, ao perder as estribeiras, atrapalha-se e cai, o mais natural será o riso. Se não cai, mesmo que não acerte com as estribeiras, não há razão para o cavalo partir a galope e, ao contrário, quando dispara à solta não é porque o cavaleiro perdeu as estribeiras mas, provavelmente, porque foi admoestado ou assustado. Daí que não seja tão evidente como pode parecer a analogia proposta. Concordam?
Também sabemos que, geralmente, os adágios são expressões figuradas que criam uma analogia entre a realidade e a linguagem metafórica usada. Ora, aqui, isso não se verifica. Talvez que… isso mesmo: haja um erro!
Neste caso não será corruptela, mas sim uma troca de vocábulo: estribeiras por estribilhas. Isso mesmo, estribilhas, as duas réguas, geralmente metálicas, entre as quais os encadernadores aperta(va)m as folhas dos livros, para cosê-los. Aí sim, perdidas as estribilhas, solta-se a prancha e se com a janela ou a porta aberta a corrente de ar leva as folhas, vai tudo pelos ares, fica o montão de papéis desordenado e, porventura, muita folha perdida ou inutilizada.
Lá se vão, então, as posturas e as conveniências sociais…

 

 

 

(coisas há sem pés nem cabeça, sem dentes nem parentes)