os móveis
(fábulas que Esopo se esqueceu de contar)

Um turista foi convidado a visitar um rabino polaco, em Koszalin.
Surpreendido por ver que a casa do anacoreta era apenas um quarto cheio de livros espalhados pelo chão e um banco corrido encostado à janela, onde o velho se sentava, o viajante perguntou:
Senhor, onde estão os seus móveis?!…
E os seus, onde estão? – replicou o rabino, com voz mansa e arqueada como espinha de gato.
Os meus?!… – embatucou o turista – Mas eu sou simplesmente um visitante. Estou aqui de passagem! – enfatizou, assertivo.
Eu também. – disse o homem, olhando-lhe os olhos.

 

10 comentários sobre “os móveis
(fábulas que Esopo se esqueceu de contar)

  1. Ju 10 Agosto, 2018 / 11:31

    Um sábio provérbio judeu que nos faz reflectir sobre a desmesurada e inútil ânsia de bens materiais!
    Abraço

  2. manuela 23 Julho, 2018 / 17:41

    Aquele pormenor da fala do rabino “… arqueada como espinha de gato” é revelador da personagem. Muito interessante.
    Abraço

    • jorgesteves 26 Julho, 2018 / 18:47

      Não é?, o estereotipo do rabino?!… Creio que me vem desde os tempos do Mundo de Aventuras ou do Cavaleiro Andante…
      Abraço,
      jorge

  3. Nuno Ribeiro 22 Julho, 2018 / 18:52

    Já foi dito aqui que não é ‘quem conta acrescenta um ponto’. É criar uma imagem 3D de alta resolução a partir de uma fotografia antiga.
    ‘à parte’, amigo: um abraço.

    • jorgesteves 26 Julho, 2018 / 18:44

      Já expliquei, aqui abaixo, a origem desta curta narrativa. Mas, convenhamos, que passá-la a 3D de alta resolução não estava nas minhas intenções, não!…
      Obrigado. Em especial pelo… à parte.
      Abraço.
      jorge

  4. marcela quelhas 22 Julho, 2018 / 08:54

    É uma velha história, mas contada assim parece um dia de primavera cheio de flores. Renasceu e fico encantada. Um contador de histórias de excelência, Jorge.
    Abraço.

    • jorgesteves 26 Julho, 2018 / 18:42

      É, de facto, uma velho provérbio judeu narrado em duas palavras. Apenas enfatizei um pouco o cenário para lhe dar ares de fábula, Satisfaz-me que tenha gostado.
      Abraço.
      jorge

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