por que bulas?…

Lembro-me, em miúdo, dizerem-me por que bulas coças tu as impinges?… Ná vês que ficas c’â pél talhada!, isto quando tive sarampo. Daí que não entendo esta expressão…, escreveu-me o David Cerqueira, a propósito desta velha frase feita.
É compreensível a confusão. Acontece que este bulas não advém do verbo bulir (mexer, incomodar, tocar ou agitar), tão em uso nos dialectos, mormente no Minho ou Trás-os-Montes.
Trata-se de um substantivo, no caso a habilitação pontifical que, com particular incidência na Idade Média, era uma escritura, uma benesse ou prerrogativa, muito importante dado o seu valor de lei. Bula porque o documento era lacrado com uma pequena bola (bulla, em latim) de cera ou chumbo.
Daí que, por analogia, quando alguém se depara com um acto inusitado, interrogue, com justificado pasmo, por que bulas (documento ou lei) isso é permitido.

E nós sabemos que já tanto se faz sem bulas..

 

 

 

(coitados dos cordeiros quando os lobos dizem ter razão)