Porto de Mós


Embora se pense que o rio Lena, que atravessa a localidade, nunca foi navegável e, portanto, jamais terá permitido a existência de um porto naquele lugar, é admissível que, outrora, o oceano ali tenha chegado em condições de suscitar a criação de um porto de mar. Quanto mais não fosse de um braço que se estendesse desde
Vieira (de Leiria) até à vila, seguindo o vale que o Lena percorre até se juntar ao Lis e, com este, ao mar. Esta teoria sustentam-na alguns historiadores, nomeadamente Serra Frazão, autor de vários estudos sobre a região.

A designação de Porto estaria, assim, explicada. E de Mós porque, a partir desse porto se terão comercializado mós (aliás representadas nas armas da vila), consideradas de excelente qualidade. O mesmo Serra Frazão admite, no entanto, que do local denominado Pedreiras, a menos de cinco quilómetros da vila, de onde se presume terem saído as mós, não consta que alguma vez ali se extraíssem pedras para fazer farinha mas, ao contrário, para construção e donde, crê-se, saiu a maior parte da pedra que se empregou na construção do Mosteiro de Santa Maria da Victória (da Batalha). Mas é igualmente verdade que, a sul de Porto de Mós, nas faldas da serra da Pevide há um lugarejo denominado As Mós e que por ali próximo, há sinais de extracção de pedra, com características capazes de servir para mós de moer trigo, talvez, mas não de milho, as segundeiras, que para isso a sua qualidade e contextura teriam de ser diferentes. Umas ou outras, deste ou daquele lugar, parece no entanto não haver dúvidas quanto à origem do apelido daquele (provável) porto…
Agora o que, segundo o povo, não há dúvida alguma, é que, em tempos que já lá vão, houve um juiz de fora com grandes arranques de fidalguia, tendo o dito, certa vez, e por mor de uma certa petição, sido tratado por Vossa Mercê, como então, aliás, se costumava. Ora o engaleirado juiz não despachou a petição porque o requerente não o tratou, convenientemente, por Vossa Senhoria!
Parece que o pedidor, então, replicou à medida certa e desta seguinte maneira:
Se a Deus se trata por tu,
e ao nosso Rei, por vós,
Como quereis que vos tratem,
Ó juiz de Porto de Mós?…

 

 

6 comentários sobre “Porto de Mós

  1. Rosa dos Ventos 10 Março, 2010 / 17:06

    Andaste por aqui perto, andaste!
    E eu ontem passei por cima do Lena, na Batalha e ia bem apressado e com muita água.

    Abraço

  2. tinta permanente 4 Março, 2010 / 10:22

    Justine
    Lembrei-me, lembrei-me!…
    Prometo que aviso! Obrigado.
    abraços!

    Bartolomeu
    Tem razão; também já li algumas versões sobre o assunto e, ao que parece, há fundamentações até muito válidas que sustentam algo que aglutina essas teorias. Mas, claro, estamos a falar de uma 'pipa' de anos!…
    A quadra popular (bem conhecida em Porto de Mós) retrata bem, afinal, aquele dito a que refere a amiga APC, aqui mais abaixo, não acha?…
    abraço!

    Baila sem peso
    A quadra de Porto de Mós, aqui tão referida, lembra-me uma outra história, bem semelhante, passada entre dois ilustres nomes da Portugalidade passada, que hesito em contá-la aqui (é um tudo nada a puxar para o vernáculo…); talvez a conte, um destes dias…
    E, poeticamente…
    abraços!

    APC
    Esse mestre devia ser, mesmo, dos bons!…
    Essa não conhecia eu! Bolas!…
    abraços!

    passantes que passais…
    vos agradeço!

    tintapermanente

  3. APC 2 Março, 2010 / 02:25

    Belos grãos de história, moidinhos a preceito. Termina bem, lembrando que não há grandeza sem humildade, empatia e tolerância. Fez-me lembrar o que um grande mestre meu sempre dizia: "Só puxa dos galões quem não tem… … … os ditos". Só que ele (Coimbra de Matos), de tão poeta que é, sempre rimava! 😉

    O meu abraço

  4. Baila sem peso 25 Fevereiro, 2010 / 13:23

    E um Castelo no Ar
    veio hoje aqui parar!
    Bonito o seu estar!
    E de Porto de Mós nada conheço
    apenas por nome reconheço!
    E a quadra tem sua sabedoria
    já que a muitos a carapuça servia!
    E ouvindo música em patuscada
    fiquei um pouco pensativa
    com essa amarelinha daí…
    completa bem a quadra
    pois na verdade a vaidade
    é uma semente bem viçosa
    que alegra a mente caprichosa…
    que no meio do enfado
    só assim sai proveitosa!

    (e claro que mais fui consultar
    e deu para a apreciar
    como as gentes de Vieira (de Leiria)
    ficaram ligadas ao Tejo…
    não tem a ver com Porto de Mós?!
    Nem com as suas mós?!
    Pois certo! Mas foi continuar na leitura
    que me fez expectar nesta conjectura)
    Obrigada por mais esta "gravura"!!)

    Meu beijo em mó ficando
    vai rodando, rodando…
    e carinho deixando 🙂

  5. Bartolomeu 25 Fevereiro, 2010 / 12:23

    A propósito de Porto de Mós, ter sido em algum tempo, um verdadeiro porto de mar, recordo-me de ter lido em alguma parte a existência de um porto de mar nos interiores de S. Martinho do Porto, perto de Caldas da Rainha.
    Segundo me recordo de ter lido, escavações revelaram num local impensado, bem distante da actual praia, restos de um cais, onde os navios ingleses (?) presume-se, carregariam os porões de carvão.
    Sedutorá, sedutora, é a reflexão a que a quadra final nos convida.
    Sim… porque carga de água?
    Lembro-me de um vizinho do local onde habito, um simples camponês, mas muito lúcido, que foi levado a tribunal e não distinguindo o Dr. Juiz de outro qualquer mortal, o tratou por tu, como fazia com todos os seus semelhantes.
    É claro que o juiz não achou piada, mas percebeu que o meu vizinho, na sua genuinidade estava a ser verdadeiro e decidiu não dar importância, contudo, condenou-o a pagar uma multa, porque abateu a tiro um cão de outro vizinho que, por andar solto, lhe matou vários animais domésticos: patos, galinhas e borregos.
    A justiça dos homens e das leis, por vezes é difícil de enquadrar…

  6. Justine 25 Fevereiro, 2010 / 12:08

    Desta vez desceste um pouco e andaste por aqui por perto…para a próxima avisa :))

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