quo vadis?…

 


A Grécia antiga atingiu o seu auge no século V a.C. e Atenas, com Péricles, tornou-se a mais importante e próspera das cidades-estados gregas e, sobretudo, um modelo exemplar de governabilidade graças às virtudes da Democracia.
Numa famosa oração fúnebre, durante a última guerra que envolveu Atenas com Esparta, Péricles, exaltando os valores da Democracia, descreve o modo de vida pelo qual morriam os seus soldados:
“A constituição pela qual nos regemos, chama-se ‘democracia’ porque o poder não está nas mãos de alguns, mas nas de muitos. Todos são iguais perante a Lei. As nossas relações privadas não serão perturbadas. Procuramos a beleza, sem extravagância. Procuramos a sabedoria, sem fraquejar. A riqueza é um propósito meritório se é posta em uso, indigna se é exibida como uma ostentação vazia”.
É verdade que estas palavras teriam uma ressonância imorredoura: celebravam os predicados que tinham coberto Atenas de glória.
Isto há cerca de dois mil e quinhentos anos. E como diz o povo, entretanto, passou muita água debaixo das pontes. A exaltada Democracia de Péricles é uma sombra de si mesma.
Não por vontade de muitos, mas pelo poder de alguns.
Na verdade,
ter escravos é muito pouco comparado com os ter chamando-lhes cidadãos.