saloio


Não se pode dizer que se trata de uma abusiva deturpação do sentido. Mas, a verdade, é que, com o correr dos tempos, bem parece que para lá caminha. De que é que falamos? Ora veja…
Em qualquer dicionário, saloio, é sinónimo de aldeão, campónio, rústico, certo? Mas também se diz que é ardiloso, finório, grosseiro, velhaco, espertalhão, e por aí fora. No entanto, parece, são bem impróprios e descabelados estes últimos apodos colados à sua génese original.
Rezam algumas crónicas que quando D. Afonso Henriques conquistou Lisboa, para que as terras não ficassem despovoadas, deixou que a moirama ficasse na posse dos seus bens e casas, embora que a troco de determinadas obrigações e tributos. Esta tolerância e benefício, que a política aconselhava, estendeu-se, com maior incidência, aos lugares circunvizinhos da cidade. Na cidadela rapidamente aumentou a população cristã, que em si absorveu parte significativa dos gentios, conforme os tempos iam decorrendo. O que, naturalmente, não ocorreu tão facilmente pelos arrabaldes. Dizem essas mesmas crónicas que a estes mouros dos arredores davam, antigamente, o nome de Çaloyos ou Saloios, nome que advinha do título da reza que eles repetiam cinco vezes por dia, chamada Çala. E, pelos tempos fora, assim ficou o nome, subsistindo mesmo depois desses lugares se tornarem cristãos.
Ainda, em meados do século passado, o cinema português usava, mesmo que com alguma chalaça, o designativo de forma apropriada. Quem ainda não viu, por exemplo, a Aldeia da Roupa Branca?…
Acrescente-se ainda que, talvez com a mesma origem proviesse um antigo tributo que se pagava do pão cozido em Lisboa, feito de uma variedade de trigo durázio, e que era conhecido pela denominação de çalayo.

 

 

 

 (em terras de mouros até o cristão é mouro)