são favas contadas

Adágio vulgar para significar que o resultado de qualquer coisa é algo tão esperado quanto previsível. Provavelmente a sua origem virá do uso romano em utilizar esta leguminosa, seca, para efectuar operações aritméticas ou, habitual e importante, usar nas votações.
Neste caso, ao votante, eram distribuídas duas favas de cor diferente, normalmente uma branca e outra preta. Fava que o mesmo depositava numa bolsa ou numa arca, onde se misturava com os restantes votos de aprovação ou negação, consoante fosse a contagem posterior das favas brancas em contraponto com as negras.
Eram as… favas contadas.
Este modelo de votação, com a variante de serem usadas bolas de cores distintas, ainda hoje é usado em algumas decisões de grupo ou assembleia onde se pretenda preservar o total anonimato da votação.
Falando em favas, ainda há quem se lembre da expressão até vir a mulher da fava-rica. Especialmente em Lisboa, até bem dentro do século XX, por muitas ruas, logo pela manhã, se ouviam os pregões olha a fava riiiiiiiica!, que anunciava a chegada de uma boa e quente sopa de fava, feita com azeite e alho.
Quem já madrugara, aprontando-se para mais um dia de faina, por vezes chegava a exasperar com a espera por aquele apetitoso conforto para o estômago. Daí que se tenha vulgarizado a expressão de ficar à espera até vir a mulher da fava-rica.
(ver ir à fava… outra vez e a fava no bolo-rei)

 

 

 

(menina e vinha, peral e faval, guardam-se mal)