São Nicolau


Em tempos já muito recuados, no dia 6 de Dezembro, no Porto, festejava-se este dia de São Nicolau, padroeiro da Invicta, com grande pompa e muito alarido.

Nas vésperas, crianças de várias escolas reunidas a muita outra gente, mais a confraria administrativa da paróquia, dividiam-se em grupos e percorriam toda a freguesia, gritando e cantarolando ao som de muita campainha e tambores improvisados:

Quem dá lenha ou algum pau
P’rá fogueira de São Nicolau…
E, então, desde as oficinas de tanoeiro, ali para os lados da Porta Nova e da rua dos Banhos, até à Corticeira, os magotes de gente com a miudagem, faziam grande colheita de barricas, canastras velhas, aparas de madeira, dos tanoeiros, carqueja e tudo o mais que servisse para abrasar o lume. Acarretavam tudo para defronte da igreja e, logo que anoitecia, toca a pegar-lhe o fogo.
Depois, a confraria dava castanhas, e o senhor abade por regra acrescentava um alqueire delas, para assarem. Para animar a festarola, os confrades arremessavam as castanhas do alto da igreja, o que dava origem a que entre a chusma de ganapos que já estavam acotovelados à roda da fogueira, houvesse enorme barulheira à mistura de muito tombo e não poucas chamuscadelas, na disputa das castanhas assadas ou por assar!
Este magusto, enorme estenderete por todo o adro da igreja, que se chamava, nessa altura, a festa do rapazio, terminava quase sempre numa tremenda sementeira de brasas, cinzas e tições, para a arrelia dos vizinhos, é certo, mas para grande e prolongado gáudio da garotada.
Não se faz ideia de quando a festa terá começado e porquê, mas sabe-se que acabou cerca de 1885.