meter a colherada

Meter a colherada, significa, juntar-se a uma conversa, dando a sua opinião (as mais das vezes sem ser pedida).
Isto leva-nos aos tempos medievos, com normas sociais e costumes muito diferentes dos actuais. À mesa, por exemplo. Ainda não havia garfos, só existiam facas e colheres. Genericamente comia-se à mão.
A faca, quase sempre, era de uso múltiplo e andava à cinta. A colher, na maioria das vezes, vinha de casa. A comida posta na mesa era tirada das travessas ou panelas comuns.
Então, para se servirem, as pessoas…  metiam a colherada.
(ver meter o bedelho)

 

 

 

(colher seca arranha a boca)

à garfada

Contas feitas, contas feitas, o mundo está dividido em três partes: os que comem com as mãos, os que comem com garfo e os que comem com pauzinhos.
Assim, com esta divisão bizarra, no globo tripartido, os que comem com garfo predominam na Europa e nas Américas, os que comem com pauzinhos na maior parte da Ásia Oriental e os que co­mem com as mãos em grande parte da África, Médio Oriente, Indonésia e subcontinente indiano.

Isso significa que os que comem com garfo são, actualmente e contas feitas de grosso modo, metade dos restantes. No entanto, os estudiosos concordam que os utilizadores de garfo têm sido, historicamente e de acentuado pendor, a minoria; os homens comeram com as mãos durante a maior parte da existência da espécie.  Curioso!
Mas, ainda mais curioso – e contas são contas – é lembrar que há simplesmente três séculos, a maior parte dos Europeus Ocidentais ainda se servia das mãos, achando o garfo um objecto fútil. decadente ou pior ainda. E já nem quero falar na faca!…
O historiador francês Fernand Braudel refere, a propósito, um pregador medieval que condenava o garfo classificando-o como luxo diabólico:
Deus não nos teria dado mãos se quisesse que utilizássemos semelhante instrumento’.
Será daí a expressão ‘não coma a vida com garfo; lambuze-se’?!…

 

 

 

(come o caldo à garfada morre a dona e a criada)