menos é mais

menos é maisDe Condeixa, o amigo Daniel Cunha perguntou qual é a fórmula matemática a que esta expressão quer aludir.
Não, não há por aqui qualquer regra matemática, mas na origem há, sim, um preceito conceptual.
É geralmente aceite que a frase é a génese de uma ideia da arquitectura racionalista, fundada em preceitos minimalistas, que o arquitecto alemão Ludwig Mies van der Robe (1886-1969) incorporou e popularizou nas suas obras.
Provavelmente nunca chegou a mensurar a fama que a síntese da sua ideia, menos é mais, acabaria por ganhar.
Ainda mais quando a expressão passou além da arquitectura e, vulgarmente, hoje caracteriza muitas situações do quotidiano.
Recorremos a a ela quando se quer dizer que para viver feliz quase sempre basta o pouco que temos. Ou, com um outro sentido, prevenir que deveremos ter cautela com o exagero nas ambições.

 

 

 

(o muito se gasta e o pouco abasta)

grotesco

Embora enumerando vários significados, poucos são os dicionários que indicam a origem da palavra grotesco (grottesco, latim, de gruta).
Não encontrei um que explicasse a derivação. Mas ela será, porventura, esta: as famílias ricas da antiga Roma, tinham nos seus jardins, com bastante vulgaridade, grutas artificiais, onde gostavam de passar parte do seu tempo de lazer. Para tornar mais caprichosa a permanência nesses recôncavos, decoravam-nos com figuras pintadas representando seres extravagantes, burlescos e fantasiosos, ou, como hoje diríamos, grotescos.

Entre os muitos exemplos das figuras grotescas que chegaram à arte clássica, vemos o centauro, corpo de cavalo, ombros e cabeça de homem, o grifo, monstruosa combinação de leão e águia, a tão cantada scila, monstro marinho com cabeça de bela mulher e cauda de peixe, do qual os antigos poetas exultavam o perigo que representavam para os marinheiros que navegavam entre a Sicília (daí o nome) e a Itália (já na Idade Média, esta scila passaria a ser sereia e, embora não menos grotesca, muito mais poética…).
É precisamente na Idade Média que a arquitectura se apodera do grotesco para as carrancas e gárgulas dos palácios e, especialmente, dos templos. Uns dos mais clássicos exemplos são os demónios da Catedral de Nossa Senhora de Paris, imortalizados por Victor Hugo. A ideia de um demónio como um homem, mas com chifres e pés de cabra, com cauda e com asas de morcego, terá a sua origem, muito provavelmente, nos primórdios da arte grotesca.
Em Portugal, na pintura e no século XX, apareceu quem se especializasse na matéria; sabe quem é?
(ver bambochata)

 

 

 

(por que sabe tanto o diabo? Por ser velho)