trazer água no bico

Embora não haja, em definitivo, um verbo para conjugar a expressão (de facto usa-se, indistintamente ter, trazer, levar), o facto é que ela pretende exprimir uma intenção oculta, um segundo fito que, genericamente, podemos associar a um golpe aleivoso.
É, porventura, na marinhagem que vamos encontrar a génese da frase.
Na verdade, em termos náuticos, a proa, ou a vante, de um barco, logicamente associadas ao bico das antigas embarcações (especialmente os veleiros, lugres bacalhoeiros ou, mais actualmente, a maioria dos barcos das escolas navais; no caso português a Sagres ou o Creoula), era comummente referida como bico da proa.
(refira-se, a propósito, que o termo vante alude à figura humana ou mitológica, quase sempre colocada no topo da proa, com a intenção de proteger a embarcação)
Acontece, pois, que quando, no linguajar marítimo, se diz navegar com a água no (ou pelo) bico, isso quer significar que se vai a navegar contra a corrente, ou seja, em tal situação de perigo que não permite prever o que possa suceder, sendo possível sofrer um eventual, rápido e traiçoeiro golpe do mar.

 

 

 

(picar a isca e trincar a sediela)

Pedras Salgadas

Pedras Salgadas, é este o nome de uma estância termal transmontana que muita gente chegou a supor originado por um certo sabor salgado que as águas daquele lugar dariam às pedras.
A derivação, no entanto, é bem diversa segundo se lê no Óbolo às Crianças, de Camilo Castelo Branco e Francisco Martins Sarmento. Ali se relata que, nos fins do século IX, viviam numa casa acastelada de Rebordechão , duas velhas irmãs muito avarentas a quem o povo dava o nome de Salgadas. Numa noite foi a casa das velhas assaltada por um grupo de bandoleiros que, atraídos pelas muitas riquezas ali aferrolhadas, reduziram o prédio a um montão de ruínas. Quanto às velhas, tinham levado sumiço, não tendo sido possível descortinar o seu paradeiro. Tempos depois, um pequeno pastor que levava o seu rebanho até ao monte Castro, ao apanhar uma pedra para atirar a uma ovelha que seguia mau rumo, viu aparecer à flor da terra um dedo humano. Transido de medo, desatou aos berros quem me acode, quem em acode e, por fim, lá foram desenterrados vários pedaços de cadáver que, reconstituídos, deram as duas velhas desaparecidas que, afinal, os salteadores tinham esquartejado e enterrado. Os pés, esses, é que nunca mais apareceram, ficando o povo na ideia de que estariam ainda enterrados em qualquer lugar do monte. Daí o passarem a chamar-lhe Monte dos Pés das Salgadas que, por corruptela, viria a dar em Pedras Salgadas
Olhe, já agora, quando tiver oportunidade, vá até lá! Vai ver que é um belo passeio…
Aproveite a beleza luxuriante do parque para desentorpecer os… pés!

 

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(quem muito anda muito se cansa mas alguma coisa alcança)