assim começou o Cinema em Portugal

No dia 18 de Junho de 1896, os lisboetas puderam assistir no Real Coliseu de Lisboa da rua da Palma, entre outras atracções anunciadas em cartaz, à estreia do Animatógrafo, uma série de quadros de fotografias animadas que o projeccionista Edwin Rousby, trazido pelo empresário António Manuel dos Santos Júnior, andava a exibir nas principais cidades da Europa. Este dia ficou nos anais do espectáculo em Portugal como a data das primeiras imagens cinematográficas projectadas no nosso país. Numa das sessões apresentadas depois no Porto, encontrava-se o portuense Aurélio da Paz dos Reis. Este conhecido floricultor e fotógrafo amador ficou tão entusiasmado com o que viu que, em Agosto desse ano, partiu para França e de lá trouxe uma máquina de filmar e projectar.
A 12 de Novembro de 1896, com a primeira sessão comercial de documentários realizados por ele, começou a história do cinema português. Os filmes exibidos mostravam episódios da vida portuguesa, que ficariam como, de facto, os primeiros filmes nacionais: Cenas de Rua (a rua do Ouro, em Lisboa), Feiras (a feira do Gado na Corujeira), Folclore (o jogo do pau) e A Saída da Fábrica (saída do pessoal operário da Fábrica Confiança, este uma imitação do filme dos Lumiêre La Sortie des Usines de Lyon).
Em 1904, é inaugurado o Salão Ideal, no Loreto, em Lisboa, a primeira sala destinada exclusivamente à exibição cinematográfica com sessões regulares. O seu proprietário, Júlio Costa, contratava pessoas para falarem por trás do écran durante a exibição das películas. Era uma espécie de ‘cinema sonoro’, um êxito que, consecutivamente, enchia a sala de cinema.
O primeiro filme verdadeiramente sonoro feito em Portugal por portugueses só viria a ser realizado cm 1933 pela Tobis Portuguesa. Foi a Canção de Lisboa, interpretado por Beatriz Costa, Vasco Santana e António Silva, entre outros, Este filme marcou também o início de um género cómico – uma mistura do teatro de ‘vaudeville’ com a revista à portuguesa – que foi adaptado com grande êxito pelos nossos cineastas em filmes realizados na década de 40 (entre eles, O Pai Tirano, de António Lopes Ribeiro, O Pátio das Cantigas, de Francisco Ribeiro, e O Leão da Estrela, de Arthur Duarte), que ainda hoje fazem as delícias dos espectadores portugueses.