pior a emenda do que o soneto

pior a emenda do que o soneto
Há quem sugira que a origem deste postulado (que pretenda dizer é melhor não mexer para que não fique pior do que está) poderá remontar a Sá de Miranda e à introdução do soneto na lírica portuguesa que, na sua estruturação enunciava que a composição do poema não devia ser mexida, pois isso só iria prejudicar o ritmo e a métrica original.
Em síntese, a emenda seria sempre para piorar o texto original.

Mais vulgar, e também mais comummente aceite, é a história que fala de alguém, um obnóxio poeta, ter pedido a Bocage que lesse um soneto seu e, se o entendesse, lhe fizesse as emendas que achasse por bem. O Poeta teria lido e devolvido os versos sem lhes tirar ou por uma letra que fosse.
O poemazeco era tão ruim que qualquer emenda, em vez de o melhorar, só o punha mais cambado. Daí que seria pior a emenda do que o soneto
Quase sempre, quase sempre…

 

 

 

(emenda em ti o que te desagrada em mim)

cantaste? agora dança!

Cantaste?, agora dança!, diz-se de quem usufruiu e gozou vantagens ou alegrias, sem pensar nas agruras do futuro.
A origem da frase está na célebre fábula A cigarra e a formiga. A propósito, Bocage reescreveu-a assim:

Tendo a cigarra em cantigas
folgado todo o Verão,
achou-se em penúria extrema
na tormenta da estação.
Não lhe restando migalha
que trincasse, a tagarela,
foi valer-se da formiga
que morava perto dela.
Rogou-lhe que lhe emprestasse,
pois tinha riqueza e brio,
Algum grão com que manter-se
té voltar o aceso Estio.
Amiga – diz a cigarra –
prometo, à fé de animal,
pagar-lhe antes de Agosto
os juros e o principal.
A formiga nunca empresta,
nunca dá, por isso junta.
No Verão em que lidavas?
à pedinte lhe pergunta.
Responde a outra: Eu cantava
noite e dia, a toda a hora.
-Oh, bravo! – tornou a formiga –
cantavas? Pois dança agora!

 

 

 

 

(cantando tudo me esquece ou chorando tudo me alembra)