ter a Casa dos Bicos

A Praticamente esquecida, ao contrário do que parece sugerir, a expressão ter a Casa dos Bicos significava, ironicamente, a posse de uma grande fortuna. Dizia-se também no mesmo tom, não se perca a Casa dos Bicos.
Segundo uma velha lenda, a Casa dos Bicos, que ainda existe, ali para os lados da Ribeira Velha de Lisboa, teria outrora engastados magníficos brilhantes em cada um dos vértices das pirâmides que eriçam toda a fachada. No entanto, esta casa mandada construir no primeiro quartel do século XVI por Brás de Albuquerque, filho do conquistador da Índia, apenas imitava a Casa de los Picos, de Segóvia, ou o Palazzo dei Diamanti, de Ferrara, que o seu proprietário tinha visto aquando viajava por Itália. Com o conhecido Cunhal das Bolas, do Bairro Alto, sucedeu o mesmo, visto que, segundo uma definição de Vilhena Barbosa, a imaginação do povo costuma fantasiar origens celebrinas aos edifícios cuja estrutura ou símbolos não sejam de fácil explicação.
Curioso verificar que em Cantuby, uma província brasileira nas cercanias do Rio de Janeiro, também existe uma casa chamada dos Bicos, que foi pertença de uma família muito poderosa, no reinado de D. João VI. Desta, no entanto, pouco ou quase nada se sabe, para além do nome de quem a tinha mandado edificar: D. Maria Renalse Recoralta Reconquesia Perininqua de Godões Campeão Catarolo. Provavelmente, nome com tanta verosimilhança como o dizer-se que o Palácio do Cunhal das Bolas foi construído por um judeu, muito rico, que quisera figurar pomos de oiro no cunhal do seu palácio. Uma invenção como a dos diamantes da Casa dos Bicos.
Certo, certo, é que tanto o Palácio do Cunhal das Bolas, como a Casa dos Bicos, foram feitos com os dinheiros fáceis vindos das Conquistas…

 

 

 

 

 

(casa em que caibas, vinha quanta podes, roupa quanta vistas, terra quanta avistas)