RMS Titanic

O RMS Titanic (RMS é a abreviatura de Royal Mail Ship ou steamer) iniciou a sua primeira (e fatídica…) viagem no dia 10 de Abril em 1912. De Southampton, passaria por dois portos, um em França e outro na Irlanda, seguindo rumo a Nova Iorque.
Poucos minutos faltavam para a meia-noite do dia 14 quando colidiu com um iceberg; afundou-se por completo duas horas e quarenta minutos depois.

Muito já se escreveu sobre esta enorme tragédia, que viria a evidenciar a incúria, o facilitismo e o modismo da época, como factores determinantes para esse trágico e evitável desastre.
(estes factores, tidos com o ponto comum da soberba, teriam dado origem ao mito de alguém ter assegurado que o Titanic era inafundável; o que nunca teria sido afirmado pelos responsáveis do seu desenho e construção. Mas que, obviamente, enquadram a catástrofe no contexto dos castigos da Providência sobre a vanglória humana) 
Dentro da história, aqui e ali, ainda se conseguem repescar alguns factos pouco referidos…
Logo aos primeiros instantes, na partida, ao passar perto do navio SS New York, que estava atracado, as hélices gigantescas do Titanic provocaram tal força de sucção que as amarras que prendiam o New York soltaram-se e os dois navios rapidamente ficaram a menos de dois metros de distância. A colisão foi evitada in extremis pelo comandante Edward Smith ao ordenar uma imediata marcha à ré de modo a criar um efeito contrário que empurrasse o New York para longe.
As quatros imponentes chaminés são, provavelmente, o emblema mais visível na imponência do Titanic. Porém a última chaminé, a mais perto da ré, era meramente decorativa.
O filme da James Cameron aproxima-se bastante da realidade quando nos mostra os músicos da orquestra a tocarem ininterruptamente durante as mais de duas horas em que decorre a agonia do navio. Relatos dos sobreviventes confirmam que assim aconteceu.
Curioso também será de referir que o filme teve um custo de produção largamente superior ao custo da construção do transatlântico.
Por falar em custos, é crível que o Titanic tenha levado com ele até ao seu leito de morte, a mais de quatro mil metros de profundidade, um valor bem mais considerável. Difícil de quantificar, já que a maioria dos passageiros iam começar uma nova vida nos Estados Unidos e, provavelmente, guardariam consigo muito dinheiro, impossível de determinar. Além disso, transportava um carregamento de diamantes de dois comerciantes suíços que, segundo os registos de Southampton valeriam actualmente cerca de quinhentos milhões de dólares. Outras coisas, mais ou menos curiosas – e valiosas – também mergulharam com o Titanic: um dos manuscritos de um filósofo persa, Omar Caiam, do século XI, estava na posse de Edward Fitzerald que o traduziu em 1880. Vários quadros, como o La Circassienne au Bain, pintado em 1814 por Merry-Joseph Blondel, tal como uma múmia de uma profetisa egípcia que viveu no reinado do faraó Aquenáton, também estavam a bordo do Titanic.
Louças, peles, vinhos, espumantes e até mesmo dois barris de mercúrio também naufragaram.
(…) Metia pena ouvir os gritos por ajuda. Estava a nadar às voltas à procura de qualquer coisa a que me agarrar, tinha as minhas botas calçadas com os atacadores desatados, e algo as estava a puxar. De repente saíram com um puxão. Era um pobre desgraçado, que me pareceu ser português; encontrou qualquer coisa a que se agarrar e como resultado as minhas botas soltaram-se. (…), teria escrito um forneiro sobrevivente do naufrágio. Provavelmente será está a única referência à vivência dessas horas trágicas dos quatro portugueses que estavam a bordo, naquela fatídica viagem.
Sabem-se os nomes, Manuel Estanislau, José Jardim e Domingos Fernandes Coelho, três madeirenses da Calheta. Um outro, José Joaquim Brito, veio a saber-se ser algarvio. Todos iam a caminho da (sua) terra prometida.
A última sobrevivente do Titanic, Millvina Dean, morreu em 31 de Maio de 2009. Tinha apenas nove semanas de idade quando o Titanic se afundou.
Contam-se hoje 110 anos.

(na fotografia inicial, pormenor do Memorial ao Titanic em Belfast, Irlanda)

 

 

 

assim começou o Cinema em Portugal

No dia 18 de Junho de 1896, os lisboetas puderam assistir no Real Coliseu de Lisboa da rua da Palma, entre outras atracções anunciadas em cartaz, à estreia do Animatógrafo, uma série de quadros de fotografias animadas que o projeccionista Edwin Rousby, trazido pelo empresário António Manuel dos Santos Júnior, andava a exibir nas principais cidades da Europa. Este dia ficou nos anais do espectáculo em Portugal como a data das primeiras imagens cinematográficas projectadas no nosso país. Numa das sessões apresentadas depois no Porto, encontrava-se o portuense Aurélio da Paz dos Reis. Este conhecido floricultor e fotógrafo amador ficou tão entusiasmado com o que viu que, em Agosto desse ano, partiu para França e de lá trouxe uma máquina de filmar e projectar.
A 12 de Novembro de 1896, com a primeira sessão comercial de documentários realizados por ele, começou a história do cinema português. Os filmes exibidos mostravam episódios da vida portuguesa, que ficariam como, de facto, os primeiros filmes nacionais: Cenas de Rua (a rua do Ouro, em Lisboa), Feiras (a feira do Gado na Corujeira), Folclore (o jogo do pau) e A Saída da Fábrica (saída do pessoal operário da Fábrica Confiança, este uma imitação do filme dos Lumiêre La Sortie des Usines de Lyon).
Em 1904, é inaugurado o Salão Ideal, no Loreto, em Lisboa, a primeira sala destinada exclusivamente à exibição cinematográfica com sessões regulares. O seu proprietário, Júlio Costa, contratava pessoas para falarem por trás do écran durante a exibição das películas. Era uma espécie de ‘cinema sonoro’, um êxito que, consecutivamente, enchia a sala de cinema.
O primeiro filme verdadeiramente sonoro feito em Portugal por portugueses só viria a ser realizado cm 1933 pela Tobis Portuguesa. Foi a Canção de Lisboa, interpretado por Beatriz Costa, Vasco Santana e António Silva, entre outros, Este filme marcou também o início de um género cómico – uma mistura do teatro de ‘vaudeville’ com a revista à portuguesa – que foi adaptado com grande êxito pelos nossos cineastas em filmes realizados na década de 40 (entre eles, O Pai Tirano, de António Lopes Ribeiro, O Pátio das Cantigas, de Francisco Ribeiro, e O Leão da Estrela, de Arthur Duarte), que ainda hoje fazem as delícias dos espectadores portugueses.