são favas contadas

Adágio vulgar para significar que o resultado de qualquer coisa é algo tão esperado quanto previsível. Provavelmente a sua origem virá do uso romano em utilizar esta leguminosa, seca, para efectuar operações aritméticas ou, habitual e importante, usar nas votações.
Neste caso, ao votante, eram distribuídas duas favas de cor diferente, normalmente uma branca e outra preta. Fava que o mesmo depositava numa bolsa ou numa arca, onde se misturava com os restantes votos de aprovação ou negação, consoante fosse a contagem posterior das favas brancas em contraponto com as negras.
Eram as… favas contadas.
Este modelo de votação, com a variante de serem usadas bolas de cores distintas, ainda hoje é usado em algumas decisões de grupo ou assembleia onde se pretenda preservar o total anonimato da votação.
Falando em favas, ainda há quem se lembre da expressão até vir a mulher da fava-rica. Especialmente em Lisboa, até bem dentro do século XX, por muitas ruas, logo pela manhã, se ouviam os pregões olha a fava riiiiiiiica!, que anunciava a chegada de uma boa e quente sopa de fava, feita com azeite e alho.
Quem já madrugara, aprontando-se para mais um dia de faina, por vezes chegava a exasperar com a espera por aquele apetitoso conforto para o estômago. Daí que se tenha vulgarizado a expressão de ficar à espera até vir a mulher da fava-rica.
(ver ir à fava… outra vez e a fava no bolo-rei)

 

 

 

(menina e vinha, peral e faval, guardam-se mal)

ora experimente lá!…

as arremedas e as desarremedas

 

De todos os saberes de almanaque de cultura popular, geralmente interligando a meteorologia, a agricultura e alguma tradição ou crença, surgiu uma forma curiosa de prever o estado do tempo para o ano inteiro. São, no dizer do lavrador as arremedas e as desarremedas. De que se trata?…
Bom, talvez por um lado tenha sido o querer saber antecipadamente o estado do tempo mas, por outro lado, não deixa de haver aqui muito da tentação divinatória do Homem à mistura com algum pragmatismo relativamente às perdas e ganhos nas colheitas, tão necessário no seu quotidiano.
Assim, explica-se, sobre as arremedas e as desarremedas: ‘arremedar o tempo que fará, é prever o estado atmosférico dos meses do ano’. A operação chama-se arremeda porque os dias que servem para a previsão climatérica, imitam, isto é, arremedam os meses respectivamente convencionados. Como estiver o dia do arremedo assim será o mês correspondente. A arremeda do ano faz-se, então, por observação do estado atmosférico dos dias, que decorrem entre o dia de Santa Luzia (13) até à véspera do nascimento do Menino (24), no ano anterior.
A regra adoptada, será então:

o dia 13 de Dezembro arremeda (será igual) o mês de Janeiro do ano seguinte,
o dia 14 de Dezembro arremeda o mês de Fevereiro do ano seguinte,
…e assim sucessivamente.

Mas, para tirar as dúvidas, faz-se a desarremeda que é, nem mais nem menos, a prova real da operação da arremeda. Ou seja, consiste em refazer o que está feito, repetindo para isso a operação, depois de terminada e, claro, logo a seguir a ela. A segunda leitura irá confirmar ou prejudicar a primeira; terminadas que sejam as duas séries de observações, a segunda é a que, definitivamente, vai valer.
As desarremedas, serão, pois:
o dia 25 de Dezembro desarremeda e marca Janeiro,
o dia 26 de Dezembro desarremeda e marca Fevereiro,
etc. etc.

Não se sabe, nem se pode considerar como adquirido, que astrólogos e camponeses procedam da mesma forma e utilizem os mesmos métodos para as previsões do tempo. Sabe-se, isso sim, que esta prática é tão antiga quanto a ligação do Homem à terra e há saberes de almanaque referidos desde o século XI.
Mesmo que esta sabedoria peque por grosso defeito, a verdade é que parece duvidoso que sem essa mesma sabedoria, da qual os almanaques parecem ser apenas uma pequena parcela, alguma vez o Homem tivesse conseguido produzir a mais das míseras cenouras. Aposta?
Experimente…

 

 

 

(bom saber he callar, ate ser tempo de fallar)