grotesco

Embora enumerando vários significados, poucos são os dicionários que indicam a origem da palavra grotesco (grottesco, latim, de gruta).
Não encontrei um que explicasse a derivação. Mas ela será, porventura, esta: as famílias ricas da antiga Roma, tinham nos seus jardins, com bastante vulgaridade, grutas artificiais, onde gostavam de passar parte do seu tempo de lazer. Para tornar mais caprichosa a permanência nesses recôncavos, decoravam-nos com figuras pintadas representando seres extravagantes, burlescos e fantasiosos, ou, como hoje diríamos, grotescos.

Entre os muitos exemplos das figuras grotescas que chegaram à arte clássica, vemos o centauro, corpo de cavalo, ombros e cabeça de homem, o grifo, monstruosa combinação de leão e águia, a tão cantada scila, monstro marinho com cabeça de bela mulher e cauda de peixe, do qual os antigos poetas exultavam o perigo que representavam para os marinheiros que navegavam entre a Sicília (daí o nome) e a Itália (já na Idade Média, esta scila passaria a ser sereia e, embora não menos grotesca, muito mais poética…).
É precisamente na Idade Média que a arquitectura se apodera do grotesco para as carrancas e gárgulas dos palácios e, especialmente, dos templos. Uns dos mais clássicos exemplos são os demónios da Catedral de Nossa Senhora de Paris, imortalizados por Victor Hugo. A ideia de um demónio como um homem, mas com chifres e pés de cabra, com cauda e com asas de morcego, terá a sua origem, muito provavelmente, nos primórdios da arte grotesca.
Em Portugal, na pintura e no século XX, apareceu quem se especializasse na matéria; sabe quem é?
(ver bambochata)

 

 

 

(por que sabe tanto o diabo? Por ser velho)

maia

Há quem defenda a opinião que a origem de Maio se deve ao facto de ser este o período consagrado aos velhos, aos anciãos (do latim majorum), no entanto a versão mais generalizadamente aceite é que o nome tem origem em Bona Dea, também conhecida por Maia, a deusa da Primavera.
Isso, em Portugal e em outros países de origem latina, porventura explica o ritual de colocar flores no exterior das casas, na noite que antecede o primeiro dia de Maio, embora haja algumas cambiantes na forma e na explicação. Por exemplo, no Minho e em Trás-os-Montes, especialmente, costuma-se colocar pequenos galhos floridos de maias (pequeno arbusto bravio, muito comum nesta época do ano) em todas as possíveis entradas da casa (janelas, portas, postigos, chaminés, etc.), de forma a impedir a entrada do mafarrico (demónio) que, nessa noite, anda à solta. Por outro lado, na Beira Litoral e em outros lugares mais a sul é uso a feitura de uma colorida coroa de flores que será colocada, em lugar bem visível, junto à entrada principal da casa; neste caso a intenção é tão só a celebração da entrada do mês de Maio, do mês de todas as flores…

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