comer muito queijo

Comer muito queijo é a causa de quem é esquecido, distraído ou tem má memória (normalmente aplicado no sentido subjectivo de assim ser porque convém que assim seja…).
A origem deste dito bem português estará, provavelmente, na explicação da relação de causalidade que, em séculos anteriores, era estabelecida entre a ingestão de lacticínios e a diminuição de certas faculdades intelectuais, especificamente a memória.

A comprovar a existência desta crença podemos ler, neste excerto da obra do padre Manuel Bernardes, Nova Floresta, relativo aos procedimentos a observar para manter e exercitar a memória: (…) Há também memória artificial da qual uma parte consiste na abstinência de comeres nocivos a esta faculdade, como são lacticínios, carnes salgadas, frutas verdes, e vinho sem muita moderação: e também o demasiado uso do tabaco (…).
Sabe-se hoje, através dos conhecimentos resultantes dos estudos sobre memória e nutrição, que o leite e o queijo são fornecedores privilegiados de cálcio e de fósforo, elementos importantes para o trabalho cerebral.
Apesar do contributo da ciência para desmistificar uma antiga crença popular, a ideia do queijo como alimento nocivo à memória ficou cristalizada na expressão comer (muito) queijo.
É que nem para desculpa serve…

 

 

 

(vai o cântaro à fonte e deixa lá a rodilha)

carga d´água

Esta frase aparece quase sempre na forma interrogativa: por que carga d’água aconteceu (ou não!) isto?, por que cargas d’água o fulano fez (ou não!) aquilo?
Embora haja quem aponte para as primeiras navegações (séc. XIII) portuguesas, especialmente sujeitas às convulsões atlânticas provocadas pelo Mediterrâneo (Mediterranean Outflow Water), parece mais acertado que a origem derive do senso comum que tem como assente ‘a carga d’água faz moer o moinho e o aguaceiro sempre foi alegado como pretexto para não cumprir determinada obrigação’, como assim referem alguns autores (entre eles o franciscano São Boaventura, 1221-1274).
Acrescentava Teófilo Braga ‘mas, quando não choveu, é natural que se pergunte ao relapso: mas por que carga d’água?‘ Ou seja, ‘onde está o forte motivo?’…

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(chuva de molha tolos também molha ajuizados)