à lágarder

Ó Chico!, mas que foleirice é esta, hã?! Julgas que chegas aqui, arreias a giga e é tudo à lágarder, é?!...’
Dito assim, à moda do Porto, exemplifica bem o agir de modo afoito e irresponsável, actuar desabridamente, levar tudo a torto e a direito, e, consequentemente, disparatar em grande medida.
À lágarder, tem origem no nome Henri de Lagardère, herói do romance Le Bossu (O Corcunda) do escritor francês Paul Fével. O livro narra as aventuras do espadachim Lagardère na sua demanda de vingança contra o poderoso Philippe de Gonzaga, assassino do seu amigo Duque de Nevers. As peripécias desta aventura, pautadas pela irreverência, pelo modo audacioso e atrevido do herói, mais tarde passadas ao cinema e também, na RTP, em série televisiva no começo dos anos sessenta, serviram de ovo à gestação desta expressão que, por colagem ao esgrimista, leva a dizer que à lágarder é, como ele e a sua espada, andar numa fona constante, levar tudo a eito, derrubar tudo e todos.
Esta apropriação – das exuberantes e insinuantes características do herói – estendem-se a outras figuras, humanas, de romance ou do cinema e dão origem a outras expressões em tudo semelhantes
Correr como o Zátopek ou conduzir à Fângio, entre outras.

 

 

 

(quem corre pelo muro não dá passo seguro)