sal na moleira

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Contava-me a amiga Dulce que num fim-de-semana que passou na casa da mãe, em Vieira do Minho, a meio da tarde de sábado, estavam a merendar quando a sua mãe perguntou ao neto se queria maçãs. Ela sabia que o filho não é muito dado a comer fruta e, por isso, não estranhou quando ele se saiu com aquela desculpa esfarrapada, dizendo à avó que gostava mais das do supermercado.
Diz a Dulce que a mãe encolheu os ombros, sorriu-se e atirou ao neto que não te puseram sal na moleira.
E… o que é isso?, perguntou a minha amiga.
Não é fácil, não é fácil… Mas vamos por partes.
Ao que parece o consenso diz-nos que o preceito é de origem espanhola (poner a alguno sal en la mollera) e terá como origem o ritual do baptismo que põe sal na boca dos baptizados para que, de futuro, as suas palavras sejam adubadas pelo sal da sabedoria (accipe Salem sapientæ).
Por extrapolação criar-se-ia o dizer pôr sal na moleira, quando, já crescido, parecer ter falta de ponderação, entendimento, cautelas ou senso e, assim, por o sal no sítio adequado, na moleira, onde deve, (devia!…)  estar o juízo.

Bom, mas eu disse que não é fácil; e não é.
Contam outros que, dantes, quando se salgavam os porcos e se penduravam as partes no fumeiro, recomendava-se às crianças que não passassem por baixo, para não lhes cair o sal na moleira, pois o sal, com vinagre e à mistura com gordura, iria fazer cair o cabelo. Daí ter-se-ia criado o dito, mas pela afirmativa, puseram-te sal na moleira, quando alguém queria fazer chacota de um… careca.
Não será este o conceito da asserção usada pela avó, mas há hipótese do dito ter outro sentido, isso há. E assim, em que ficamos?

Escolham!
(ver agarrar pelos cabelos)

 

 

 

(cabeça sem espírito é um bocado de osso)

ver-se grego

Desde sempre que a língua grega foi tida como uma coisa difícil e entendimento e aprendizagem.
Já na Idade Média esta expressão era vulgar; frequentemente, no caso das transcrições ou até nas traduções, dizia-se Graecum est, non legitur, ou seja, é grego, não se entende.
Daí o dito, ainda hoje muito vulgarizado, isto para mim é grego, ou vejo-me grego, no sentido de que não entende, não percebe nada daquilo

 

 

 

(mais há na amarra que fazê-la e furá-la)