para inglês ver

É um dito português usado como exemplificativo de se mostrar alguma coisa apenas pela aparência, ou seja, qualquer coisa que não se deve levar a sério, pois que é encenada para a ocasião ou para o efeito.
Muitas opiniões asseguram existirem várias possibilidades para a origem do dito, sendo que duas parecem mais consistentes: uma com origem no Brasil, outra em S. Tomé e Príncipe, países na altura sob domínio português e ambas relacionadas com a época final do tráfico de escravos.

Quando a Inglaterra promulgou o fim do tráfico esclavagista, fez acompanhar a promulgação da lei de algumas directrizes económicas tendentes a embargar o comércio com países que ainda adoptassem a prática.
No caso português, a empresa Cadbury, a maior compradora da noz de cacau são-tomense, chegou mesmo a suspender as suas aquisições desta matéria-prima, em virtude de nas plantações ser utilizada mão-de-obra escrava. As inspecções formais da Cadbury, preanunciadas, levavam os fazendeiros a encenar o emprego de população não escrava, para inglês ver com o objectivo de tranquilizar o comprador e permitir que ele mesmo se assegurasse do cumprimento dos requisitos exigidos.
Algumas leis brasileiras emitidas pelo Governo da Regência em 1831, que nunca chegaram a ser levadas à prática, que proibiam a encenação do para inglês ver o tráfico de escravos, acabaram por ser letra morta para a realidade do peso económico (que calava qualquer intenção contrária…).
Finalmente, uma segunda lei, datada de 1852 e promulgada pelo Imperador D. Pedro II veio erradicar definitivamente o uso económico da escravatura.

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(dos enganos vivem os escrivães)

a dar com um pau

Este axioma crê-se ter tido origem nos barcos negreiros. Muitos dos negros capturados, capazes de antever a vida horrenda que os esperava à chegada, preferiam morrer durante a viagem e, para isso, deixavam de comer.
Os traficantes começaram então a usar o estratagema de lhes atravessarem um pau na boca para que os marinheiros enfiassem sopa e farinha pela goela dos escravos até dar com o pau.
Daí que o enunciado, se bem que tenha variados usos, tenha acabado por, geralmente, ser geralmente está associado a qualquer coisa em excesso e comer em demasia.
(ver cheio de nove horas)

 

 

 

(o que come a minha vizinha não aproveita à minha tripa)