o fim da picada

Esta expressão é filha da Guerra do Ultramar. Dos quase dez mil militares que, durante 13 anos entregaram parte substancial da sua juventude aos desvarios do Império, muito poucos são os que não sabem o que pode ser… o fim da picada.
Picada é (era…) uma estreita faixa de terreno limpa de terra, pelo interior do mato, criada para evitar que o fogo ateado no roçado passe além dela. Neste caso, o fim da picada é um lugar perigoso para quem estiver a provocar fogo no roçado, pois as chamas poderão colocá-lo em risco de vida. Isto era dantes…
Picada também é uma trilha feita por quem ingressa numa mata, geralmente com catana, para facilitar, desviar ou encurtar a passagem e, ao mesmo tempo, assinalar o caminho de regresso. Se uma ou mais pessoas não regressam ou deixam de sinalizar a sua marcha, seguem-se as marcas, seguindo o trilho. Se acontecer chegar ao fim da picada sem encontrar quem seguia à frente, percebe-se de imediato que o risco é enorme: o que, ou quem provocou esse desaparecimento foi, está, naquele local. O que significa que quem está no mesmo lugar, corre risco semelhante.
O fim da picada é o pior que pode existir nesse caminho.

 

 

 

(o risco que corre o pau é o mesmo que corre o machado)

baptismo de fogo

Temos aqui um óptimo exemplo de uma locução que, no século XIX, mudou completamente de sentido.
Até então (primeiras décadas do século XIX) referia-se ao martírio a que foram submetidos os hereges, no período da Inquisição. Eles, os que não tinham sido baptizados, recebiam, ao morrer na fogueira, o derradeiro (exemplar para os outros…) baptismo de fogo.
Porém, já na recta final do século, Napoleão III aplicou-a erroneamente, com os seus soldados, que entravam em combate pela primeira vez, exultando-os, no confronto que seria seu baptismo de fogo.
E com a Inquisição já diluída na memória, o postulado sobreviveu, agora com um novo sentido.
(ver Inquisição)

 

 

 

(não há guerra de mais aparato que muitas mãos no mesmo prato)