em Roma sê romano

Ou seja, também, faz como vires fazer. De algum modo será dizer que, em qualquer lado, devemos agir como os locais, de modo a evitar surpresas ou dissabores.
São várias as expressões latinas sobre isso: Roma locuta, causa finita (Roma falou, a causa acabou), o mesmo que dizer, as leis são de Roma e elas são para cumprir sem discussão, ou, de modo mais sucinto, Roma locuta est (Roma falou), e se falou, assim se faz (isto especialmente para os estrangeiros).
Daí a mais comum das generalizações, em Roma sê romano (Si fueris Romae, Romano vivito more).
No todo, digamos que será esta noção de adoptar as práticas e as regras locais que é aconselhável ter em conta quando viajamos para fora do nosso meio natural.

 

 

 

(quem quer ir longe prepara a montada)

olho por olho

A referência a este conceito é muito vulgar no Antigo Testamento, no Levítico, Êxodo e Deuteronómio, que continham várias enunciações de leis antigas, entre elas a lei de Talião que, de um modo genérico, tem por princÍpio compensar o valor da perda de modo semelhante à ofensa.
A origem desta noção de justiça, baseada, ao cabo, na perspectiva de reciprocidade da pena com o crime, no entanto, é ainda mais antiga do que os livros judeus. Mais de mil anos antes, a fórmula já aparece no babilónico Código de Hamurabi, 1740 a.C. Os seus 282 artigos, escritos em pedra, ainda em tempo de prevalência da transmissão oral, alberguem o ovo da lei de talião.

A base era igual para todo e qualquer delito: o delinquente sofrerá o mesmo dano ou dano que praticara sobre outrem. A regra, porém, na maioria dos casos era impraticável, daí que a paridade era arbitrariamente decidida pelo juiz. O ladrão que arromba a porta ou a janela de casa alheia, será condenado à morte e a ser enterrado frente à casa violada. Se alguém assaltar, roubar e ferir o viandante, será morto.  
As leis hebraicas afinavam pelo mesmo diapasão. Olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, lê-se no Êxodo 21:24. No entanto é bem perceptível que, em quaisquer das situações e dos tempos, o conceito básico de olho por olho dente por dente, é sobretudo não uma premissa de justiça mas, antes, uma determinação de vingança.
Esta bárbara expressão de justiça acabaria por encontrar o seu émulo em Mateus 5:38-39, quando Jesus disse: Vocês ouviram o que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. Não resistais ao homem mau; mas a qualquer que te dá na face direita, volta-lhe também a outra.
Séculos mais tarde Gandhi diria a esse respeito olho por olho e o mundo acabará cego.

 

 

 

(com a minha justiça, eu luto, luto, luto)