um engano feito de afeição, é mais brando que um vestido de Bragança

Este gracioso e antiquíssimo ditame transmontano, praticamente esquecido, causou muita estranheza e dificuldade de compreensão a algumas pessoas, quando o referi num texto sobre a Domus Municipalis, de Bragança.
Se se concentrarem na vetusta idade deste aforismo e imaginarem como deveria ser, nesse tempo, um vestido, provavelmente de espessa lã ou áspero e cerdoso linho que, fosse o frio e o gelo ou a impiedade do Estio, assim o uso obrigava, então, decerto lhe ocorrerá a convicção de que ficaria com o corpo bem menos brando do que… um engano feito de afeição.
Ou não acham?…
(para os que conhecem a Domus bragantina, fica a referência à data da fotografia deste postal: 1911)

 

 

 

(bem estamos de roupa se não nos molharmos)

curioso legado romano…

A Inglaterra, tal como muitos outros actuais países, deve algumas (poucas ou muitas) coisas aos romanos, que às Ilhas levaram, por exemplo, a primeira era de civilização organizada que ali se viveu. Nomeadamente a introdução da Escrita. Outras coisas, de maior ou menor relevo, foram merecendo a atenção dos historiadores e, especialmente, do povo que as integrava de modo mais abrangente, ou não, no seu quotidiano.
Talvez, o mais conhecido legado romano, dirá qualquer inglês, seja a famosa Muralha de Adriano, construída por volta de 130 D.C., um pouco sobre a actual fronteira com a Escócia, e assim denominada por ter sido mandada construir pelo imperador romano Públio Adriano.
Mas, deste tema ressalta uma curiosidade que é desconhecida pela esmagadora maioria dos ingleses: a um general, Júlio César, ficaram os ingleses, para sempre, a dever uma coisa bem comezinha: as urtigas. E não se pense que por malefício, já que a ideia, bem ao contrário, procurava ser u
m benefício. Pelo menos, na altura, foi para os romanos.
Júlio César plantou as sementes de urtiga que trazia, perto de cada um dos campos militares que instalava. Ele sabia, de uma primeira incursão, que os soldados das suas legiões suportavam mal os rigores do clima inglês, invernoso e violento; por isso muitos acabavam por sofrer de fortes ataques de reumatismo. César adoptou o expediente de trazer para as paradas todos os doentes daquele mal, e fazê-los fustigar com as urtigas, levemente, por todo o corpo mas especialmente nos braços e pernas. E resultava. Porque os doentes eram induzidos a esfregar vigorosamente a irritação local provocada pelas urtigas, e assim, as dores eram aliviadas por essa massagem provocada, à força, pela inflamação deixada pelas urtigas.
Os romanos deixaram a Ilha, mas as urtigas, não.