cair da tripeça

tripeçaCair da tripeça é cair desamparado e, por analogia, sofrer um percalço, por vezes causando incómodos ou dificuldades de gravidade imprevisível.
Tripeça
era (é ainda…) um banco tosco de madeira, com três pés, muito usado nas aldeias, sobretudo junto às lareiras, onde normalmente se sentavam as pessoas de mais avançada idade, para se aquecerem.
Sonolentas, facilmente adormeciam e caíam… da tripeça.
Compreensivelmente, acidente crítico, quase sempre perigoso.  

 

 

 

(a árvore cai para onde estiver tombada)

pião das nicas

Estou nicado com o João, niquei o gajo, vai-te nicar
Expressão caracteristicamente nortenha, com base no verbo, transitivo directo, nicar (calão que significa prejudicar, maçar, lesar, aborrecer ou sacrificar), especialmente muito comum entre os adolescentes, no jogo do pião, até meados do século passado.
O jogo desenrolava-se à volta de uma roda riscada no chão e dentro da qual se colocava um pião, normalmente o pertencente ao perdedor do jogo anterior.
Cada jogador deveria lançar o seu pião, apanhá-lo em pleno rodopio com a palma da mão e atirá-lo contra o que estava no interior da roda no intuito de o jogar para fora dela ou, melhor ainda, no arremesso do pião conseguir acertar-lhe com a ponteira de aço, marcando-o e, com o impacto, atirá-lo para longe do círculo. Perdia quem não o conseguisse fazer sair da área de jogo.
O pião que, dentro da roda, estava à mercê de todas as investidas dos restantes jogadores, era designado por pião das nicas, naturalmente por ser o pião sujeito às nicadas de todos.
Assim, deste jogo sairia a expressão que era usada para apontar uma pessoa muito mortificada ou judiada pelos outros…
(desenho de Bruna Esteves, aluna da Escola Básica e Secundária do Vale do Âncora)

 

 

 

(pouco dano espanta e muito amansa)