perder a tramontana

Antes de se descobrir a bússola, no hemisfério norte, como se sabe, era a Estrela Polar o guia seguro da marinhagem.
Nessa altura a estrela era conhecida pelo nome de Tramontana (também existe a versão de que, no século XVIII, tramontana seria o vento norte).
Daí vem a expressão perder a tramontana – ou perder o Norte – que significa, de modo lapidar, alguém que está sem rumo, ou desorientado.

 

 

 

(quem pelos astros se guiar, sempre a tempo há-de chegar)

andar à toa

Toa é a corda com que uma embarcação reboca a outra. Um navio que está ‘à toa é o que não tem leme nem rumo, indo para onde o navio que o reboca determinar.
O trazer, levar ou puxar à toa é uma expressão bastante comum nas artes da marinhagem.
Já usada desde tempos antigos, como se pode comprovar, p. ex. com Fernão Lopes, séc XV, na Crónica de Dom João I (…) a frota d’el-rei de Castela, que era de quarenta naus e treze galés, como foi manhã as naus todas meteram as vergas altas e forneceram-se de muitas e boas gentes. E porque a maré vazava e o vento era de calma, levavam as galés as naus grandes à toa, e as outras mais pequenas os batéis por diante. (…)
Ficou célebre, nos anos 60, uma canção, A Banda, do brasileiro Chico Buarque, que cantava Estava à toa na vida / o meu amor me chamou / pra ver a banda passar / cantando coisa de amor.
Dá-se o caso de que toa também é o nome da corda ou tira de cabedal que se utiliza para conduzir animais.
Daí a generalidade que explica, também, o andar à nora.

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(na hora aflita é que a gente apita)