trazer água no bico

Embora não haja, em definitivo, um verbo para conjugar a expressão (de facto usa-se, indistintamente ter, trazer, levar), o facto é que ela pretende exprimir uma intenção oculta, um segundo fito que, genericamente, podemos associar a um golpe aleivoso.
É, porventura, na marinhagem que vamos encontrar a génese da frase.
Na verdade, em termos náuticos, a proa, ou a vante, de um barco, logicamente associadas ao bico das antigas embarcações (especialmente os veleiros, lugres bacalhoeiros ou, mais actualmente, a maioria dos barcos das escolas navais; no caso português a Sagres ou o Creoula), era comummente referida como bico da proa.
(refira-se, a propósito, que o termo vante alude à figura humana ou mitológica, quase sempre colocada no topo da proa, com a intenção de proteger a embarcação)
Acontece, pois, que quando, no linguajar marítimo, se diz navegar com a água no (ou pelo) bico, isso quer significar que se vai a navegar contra a corrente, ou seja, em tal situação de perigo que não permite prever o que possa suceder, sendo possível sofrer um eventual, rápido e traiçoeiro golpe do mar.

 

 

 

(picar a isca e trincar a sediela)

perder a tramontana

Antes de se descobrir a bússola, no hemisfério norte, como se sabe, era a Estrela Polar o guia seguro da marinhagem.
Nessa altura a estrela era conhecida pelo nome de Tramontana (também existe a versão de que, no século XVIII, tramontana seria o vento norte).
Daí vem a expressão perder a tramontana – ou perder o Norte – que significa, de modo lapidar, alguém que está sem rumo, ou desorientado.

 

 

 

(quem pelos astros se guiar, sempre a tempo há-de chegar)