o fim da picada

Esta expressão é filha da Guerra do Ultramar. Dos quase dez mil militares que, durante 13 anos entregaram parte substancial da sua juventude aos desvarios do Império, muito poucos são os que não sabem o que pode ser… o fim da picada.
Picada é (era…) uma estreita faixa de terreno limpa de terra, pelo interior do mato, criada para evitar que o fogo ateado no roçado passe além dela. Neste caso, o fim da picada é um lugar perigoso para quem estiver a provocar fogo no roçado, pois as chamas poderão colocá-lo em risco de vida. Isto era dantes…
Picada também é uma trilha feita por quem ingressa numa mata, geralmente com catana, para facilitar, desviar ou encurtar a passagem e, ao mesmo tempo, assinalar o caminho de regresso. Se uma ou mais pessoas não regressam ou deixam de sinalizar a sua marcha, seguem-se as marcas, seguindo o trilho. Se acontecer chegar ao fim da picada sem encontrar quem seguia à frente, percebe-se de imediato que o risco é enorme: o que, ou quem provocou esse desaparecimento foi, está, naquele local. O que significa que quem está no mesmo lugar, corre risco semelhante.
O fim da picada é o pior que pode existir nesse caminho.

 

 

 

(o risco que corre o pau é o mesmo que corre o machado)

quinto dos Infernos

Quinto, era o imposto de 5 por cento que o reino português cobrava das minas de ouro, no Brasil. A nau que trazia esse imposto para Portugal ficou conhecida, na gíria da altura, como a nau dos quintos. Ora, como nessa mesma nau eram enviados os degredados, o povo, acreditando que Quintos era, porventura, o nome das paragens distantes e terríficas do destino desses desgraçados, costumava dizer, lastimando-os, à partida: foram para os Quintos dos Infernos
Cabe aqui, a este propósito (e a mais algum que possa também calhar, já agora…), transcrever um soneto de Nicolau Tolentino, alusivo ao assunto:
No dia em que chegou a nau dos quintos
Se a larga popa trazes alastrada,
c’os prenhes cofres de metal luzente,
que importa, ó alta nau, se juntamente
vens de pranto e penhoras carregada?
Para ver tanta cara envergonhada
e pôr no Limoeiro tanta gente,
para isto sulcaste a grã corrente
dos ventos e das ondas respeitada?
Se alegras uma parte da cidade,
ergues na outra um sórdido porteiro
vendendo trastes velhos por metade:
Traz bens e males teu fatal dinheiro
uma alta paz aos homens de verdade
um estupor a cada caloteiro.

 

 

 

(para enriquecer muita diligência e pouca consciência)